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	<title>AMO &#187; ARTIGOS</title>
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		<title>MICRÓBIOS ME MORDAM!</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 03:48:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Belo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[MICRÓBIOS]]></category>

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		<description><![CDATA[Um pouco filme de ficção científica a coluna do Calligaris, de 15/3/2012, não? O importante é perceber como tem cientista pra tudo no mundo. Micróbios dominadores Os micróbios que vivem no nosso corpo podem influenciar nosso comportamento Em 2010, nos &#8220;Annals of Epidemiology&#8221;, li uma pesquisa que achei inquietante: ela confirmava uma dúvida que me [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Um pouco filme de ficção científica a coluna do <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/31298-microbios-dominadores.shtml" target="_blank">Calligaris</a>, de 15/3/2012, não? O importante é perceber como tem cientista pra tudo no mundo.</p>
<p><strong>Micróbios dominadores</strong></p>
<p><em>Os micróbios que vivem no nosso corpo podem influenciar nosso comportamento</em></p>
<p>Em 2010, nos <a href="http://migre.me/8ftEa" target="_blank">&#8220;Annals of Epidemiology&#8221;</a>, li uma pesquisa que achei inquietante: ela confirmava uma dúvida que me assombrara por um bom tempo, a partir dos meus oito anos.</p>
<p>Com essa idade, aprendi que, mesmo sem estarmos doentes, somos habitados por bactérias, vírus, parasitas e fungos, que prosperam dentro de nosso organismo.</p>
<p>E me interroguei: esses micróbios, além de fazerem (eventualmente) com que a gente adoeça, não estariam dentro de nós como pilotos numa imensa espaçonave? Apesar de acreditarmos em nossa autonomia, quem sabe eles não estejam, de fato, no volante de nossa vida?</p>
<p>Justamente, os autores da pesquisa, Chris Reiber, J. Moore e outros, queriam saber se um vírus pode mandar em nós -não só alterar nosso humor, mas realmente influenciar nosso comportamento.</p>
<p>Eles descobriram que os infectados pelo vírus da gripe, durante o período da incubação (em que são contagiosos, mas não apresentam sintomas), tornam-se especialmente sociáveis. Em outras palavras, os infectados parecem agir no interesse do vírus, que é o de contagiar o máximo possível.</p>
<p>Claro, não é que os micróbios se sirvam da gente para levar a cabo um &#8220;plano&#8221; maquiavélico. Mas se entende, com Darwin, que um vírus que nos torne sociáveis durante a incubação só pode se dar bem na seleção natural, pois ele se espalhará facilmente. Ou seja, os micróbios mais eficientes seriam os que conseguem nos usar em seu interesse próprio, os que nos transformam em seus súcubos.</p>
<p>O que sobraria de nossa &#8220;autonomia&#8221; se todos os micróbios enquistados no nosso organismo influenciassem (silenciosamente) nossos pensamento e comportamento?</p>
<p>Kathleen McAuliffe, na <a href="http://migre.me/8fwvb" target="_blank">&#8220;The Atlantic&#8221;</a> de março, conta a história de Jaroslav Flegr, um cientista que, há 20 anos, pretende que um parasita, o Toxoplasma gondii, manipule e transforme os que ele infecta.</p>
<p>O hospedeiro definitivo do Toxoplasma gondii é o gato, em cujo corpo o parasita se reproduz sexualmente. Seu hospedeiro intermediário típico é o rato, que se infecta ao ingerir o Toxoplasma (direta ou indiretamente) nas fezes do gato e, logo, ao ser comido por um felino, leva o parasita de volta para seu hospedeiro definitivo.</p>
<p>Agora, o Toxoplasma pode infectar qualquer mamífero, enquistando-se no tecido muscular e no cérebro. Nos humanos, ele é presente em 55% dos franceses (comedores de carne crua -claro, de boi infectado) e em 10 a 20% dos norte-americanos. Em tese, pouco importa, pois o Toxoplasma só seria perigoso na gravidez, quando produz malformações fetais. Mas será que esse é seu único efeito?</p>
<p>Há mais de uma década, descobriu-se que o Toxoplasma altera o comportamento dos ratos infectados, tornando-os atrevidos e fãs do cheiro da urina de gato (de que normalmente eles fugiriam). Ou seja, o Toxoplasma transforma o rato numa presa mais fácil para o gato, no estômago do qual o parasita quer acabar sua viagem.</p>
<p>Outra surpresa. Nos ratos (e só neles), o parasita pode ser transmitido por via sexual; ora, verifica-se que os ratos machos infectados são inexplicavelmente mais desejáveis aos olhos das fêmeas.</p>
<p>Um parasita capaz de influenciar o cérebro do rato, seu hospedeiro intermediário preferido, não teria efeito algum quando se instala no nosso cérebro?</p>
<p>Para começar, o Toxoplasma parece produzir em nós alguns efeitos parecidos com os que ele produz nos ratos: por exemplo, muitos humanos infectados passam a achar agradável o cheiro da urina de gato. Nada dramático: a gente é raramente comido por gatos (mas resta a pergunta: se você adora gatos, é porque gosta mesmo ou porque carrega o Toxoplasma gondii no seu cérebro?).</p>
<p>Há mais: a presença do <a href="http://migre.me/8fxYX" target="_blank">Toxoplasma gondii</a> no cérebro alavanca a produção de dopamina, um neurotransmissor cujo excesso é um dos fatores no conjunto de causas possíveis da esquizofrenia.</p>
<p>Enfim, o fato é que estamos começando a descobrir que os micróbios aparentemente inócuos que vivem no nosso corpo podem influenciar nosso comportamento.</p>
<p>Não acredito que sejamos os títeres de germes, parasitas, fungos e vírus, mas, certamente, o ambiente que nos constitui e determina não é só o das interações com nossos semelhantes. É também o de interações misteriosas com seres que sequer enxergamos. Inquietante, hein?</p>
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		<title>PENSE, DANCE, PENSE</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Mar 2012 12:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Belo</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARTIGOS]]></category>
		<category><![CDATA[FOLHA]]></category>
		<category><![CDATA[IDEIAS]]></category>
		<category><![CDATA[ILUSTRÍSSIMA]]></category>

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		<description><![CDATA[Com cada vez mais frequência, novas teorias derrubam o mito das soluções milagrosas dos brainstormings. Compactuo com a ideia. O artigo que saiu na Ilustríssima, em 4/3/2012, faz um apanhado geral do assunto. O &#8220;brainstorming&#8221; vs. o poder dos introvertidos HÉLIO SCHWARTSMAN DE SÃO PAULO Como temos boas ideias? A questão não é trivial e [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Com cada vez mais frequência, novas teorias derrubam o mito das soluções milagrosas dos brainstormings. Compactuo com a ideia. O artigo que saiu na <a href="http://tools.folha.com.br/print?url=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Filustrissima%2F1056486-o-brainstorming-vs-o-poder-dos-introvertidos.shtml&#038;site=emcimadahora" target="_blank">Ilustríssima</a>, em 4/3/2012, faz um apanhado geral do assunto.</p>
<p><img src="http://www.amodesign.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/12062669.jpg" alt="" title="Deborah Paiva" width="550" height="544" class="aligncenter size-full wp-image-564" /></p>
<p><strong>O &#8220;brainstorming&#8221; vs. o poder dos introvertidos</strong></p>
<p>HÉLIO SCHWARTSMAN<br />
DE SÃO PAULO</p>
<p>Como temos boas ideias? A questão não é trivial e já mobilizou de pensadores do porte de Platão, Descartes e David Hume a empresários preocupados em aumentar a produtividade de seus funcionários. Como não poderia deixar de ser, métodos ditos infalíveis para obtê-las enchem as estantes das seções de livros de autoajuda.</p>
<p>A maioria dessas receitas está errada. E a razão é muito simples: o mundo é um lugar complexo demais para ser subsumido por meia dúzia de fórmulas pré-fabricadas. Para tornar as coisas um pouco mais complicadas, muitas vezes topamos com uma boa ideia sem conseguir identificá-la como tal.</p>
<p>Recentes descobertas na psicologia e na neurociência, ainda que não permitam produzir um guia da criatividade passo a passo, pelo menos servem para descartar determinados mitos que insistem em se perpetuar.</p>
<p>&#8220;BRAINSTORMING&#8221;</p>
<p>O mais célebre deles é o do &#8220;brainstorming&#8221;. Como conta o escritor Jonah Lehrer em recente artigo para a revista &#8220;The New Yorker&#8221;, o conceito surgiu no livro &#8220;Your Creative Power&#8221; (Myers Press). Nesta obra de 1948, ainda em catálogo, o publicitário norte-americano Alex Osborn, sócio da mítica agência BBDO, prometia dobrar o poder criativo do leitor.</p>
<p>O livro, que foi um inesperado &#8220;best-seller&#8221;, trazia conselhos como &#8220;carregue sempre um caderninho, para não ser surpreendido pela inspiração&#8221;. O ponto alto, contudo, estava no capítulo 33, intitulado &#8220;Como organizar um esquadrão para gerar ideias&#8221;. Osborn dizia que o segredo do sucesso de sua agência eram as sessões de &#8220;brainstorming&#8221;, nas quais uma dezena de publicitários se reunia por 90 minutos e saía com 87 novas ideias para uma &#8220;drugstore&#8221;.</p>
<p>A principal regra de um &#8220;brainstorming&#8221; era &#8220;não critique o companheiro&#8221;. Para Osborn, &#8220;a criatividade é uma flor tão delicada&#8221;, que precisa ser alimentada com o louvor e pode ser destruída por uma simples palavra de desencorajamento.</p>
<p>A coisa pegou como uma praga. Osborn escreveu vários outros &#8220;best-sellers&#8221; e virou guru da literatura de negócios. Os pedagogos também adoraram e até hoje nossos filhos perdem precioso tempo na escola se dedicando a atividades de grupo onde o mantra é jamais criticar o coleguinha, mesmo que ele diga uma tremenda besteira.</p>
<p>O principal problema com o &#8220;brainstorming&#8221; é que ele não funciona. Como mostra Lehrer, o conceito fracassou já em seu primeiro teste empírico, em 1958. Pesquisadores da Universidade Yale puseram dois grupos de 48 estudantes para propor soluções criativas para uma série de problemas.<br />
<span id="more-563"></span><br />
No primeiro, os voluntários atuariam segundo as instruções de Osborn; no segundo, cada aluno trabalharia sozinho. Estudantes que operaram individualmente apresentaram, em média, duas vezes mais propostas que os do &#8220;brainstorming&#8221;. Mais ainda, um comitê de juízes considerou essas contribuições melhores e mais factíveis que as do primeiro grupo.</p>
<p>ARQUITETURA</p>
<p>Outra noção popular e errada é a de que laboratórios e escritórios devem ter uma arquitetura que praticamente obrigue as pessoas a interagirem, favorecendo &#8220;insights&#8221; criativos. Essa moda derrubou muitas paredes, e grandes empresas se tornaram um imenso átrio, onde todos se encontravam o tempo inteiro. Estima-se que cerca de 70% dos escritórios dos EUA sigam esse padrão. Um dos maiores entusiastas do conceito de arquitetura de plano aberto era Steve Jobs, da Apple.</p>
<p>Como mostra Susan Cain, no recente &#8220;Quiet: The Power of Introverts in a World that Can&#8217;t Stop Talking&#8221; [Crown, 352 págs., R$ 26], a relação entre interações sociais e boas ideias é mais sutil. Num estudo chamado &#8220;Coding War Games&#8221;, Tom Demarco e Timothy Lister avaliaram a performance de 600 programadores de informática de mais de 90 companhias.</p>
<p>A diferença entre os profissionais era impressionante: o desempenho do melhor superou o do pior em dez vezes. E, para tornar as coisas mais misteriosas, as causas suspeitas de sempre &#8211;como experiência, salário, tempo dedicado à tarefa&#8211; não explicavam o fenômeno.</p>
<p>Demarco e Lister, entretanto, perceberam que os melhores programadores tendiam a agrupar-se nas mesmas firmas. Investigando essa pista, descobriram que o segredo era a privacidade: 62% dos que se saíram bem disseram que seu lugar de trabalho oferecia um ambiente reservado onde podiam se concentrar, contra apenas 19% dos que tiveram pior performance.</p>
<p>INTROVERTIDOS</p>
<p>O objetivo de Cain, nesse interessante livro que pretende ser uma espécie de manifesto de libertação dos introvertidos, é demonstrar que as pessoas precisam respeitar seu temperamento. Especialmente para os tímidos, em geral super-representados nas carreiras científicas, o excesso de interações sociais é amedrontador. Eles se saem melhor em ambientes mais tranquilos, onde sua atenção não seja requisitada para desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo.</p>
<p>O problema, sustenta a autora, que largou a advocacia para dedicar-se ao estudo da introversão e à orientação para tímidos, é que o mundo &#8211;o Ocidente em especial&#8211; abraçou uma cultura da personalidade, cujos valores são ditados por um ideal de extroversão. Quem não consegue ou não gosta de falar em público e motivar as pessoas já sai perdendo pontos na carreira e na própria vida.</p>
<p>Voltando à criatividade, antes de eliminar todas as reuniões de sua empresa, construir paredes por todos os lados e proibir os funcionários de trocar bom-dia, é preciso saber que o problema é mais complexo e nuançado.</p>
<p>Embora as pessoas de um modo geral trabalhem melhor sozinhas (especialmente os introvertidos), a criação continua sendo um processo coletivo. Na verdade, cada vez mais coletivo.</p>
<p>Ben Jones, da Northwestern University, passou os últimos 50 anos analisando quase 20 milhões de publicações acadêmicas e 2,1 milhões de patentes. Em mais de 95% dos campos e subcampos científicos, o trabalho de equipe vem crescendo. O mesmo ocorre com o tamanho das redes de colaboradores, que aumenta em média em 20% a cada década.</p>
<p>Se até um ou dois séculos atrás a ciência podia gravitar em torno de gênios individuais como Einstein e Darwin, à medida que ela se torna mais complexa e especializada, avanços significativos dependem cada vez mais da interdisciplinaridade que, por seu turno, depende de redes cada vez maiores.</p>
<p>A ideia de saber coletivo ganhou inesperado apoio no ano passado, com a publicação de um impactante artigo dos pesquisadores franceses Hugo Mercier e Dan Sperber, que virou do avesso alguns dos pressupostos da filosofia e da psicologia. Eles sustentam que a razão humana evoluiu &#8211; não para aumentar nosso conhecimento e nos aproximar da verdade, mas para nos fazer triunfar em debates.</p>
<p>A teoria, dizem os autores, não só faz sentido evolutivo como resolve uma série de problemas que há muito desafiavam a psicologia: os chamados vieses cognitivos.</p>
<p>EXPERIMENTO</p>
<p>Antes de prosseguir, peço licença para descrever uma experiência curiosa. O psicólogo Richard Wiseman, da Universidade de Hertfordshire, resolveu espalhar 240 carteiras pelas ruas de Edimburgo. Elas não continham dinheiro, apenas documentos de identidade, cartões de fidelidade, bilhetes de rifa e fotografias pessoais.</p>
<p>A única variação eram as fotos. Algumas das carteiras não tinham foto nenhuma e outras traziam imagens que podiam ser de um casal de velhinhos, de uma família reunida, de um cachorrinho ou de um bebê.</p>
<p>A meta do experimento era descobrir se a fotografia afetaria a taxa de devolução das carteiras. Num mundo perfeitamente racional, a imagem seria irrelevante. Devolve-se o objeto perdido porque é a coisa certa a fazer. O trabalho de colocá-lo numa caixa de correio não é tão grande assim, e é o que gostaríamos que os outros fizessem, caso nós é que tivéssemos perdido os documentos.</p>
<p>É claro, porém, que as fotografias influíram nos resultados. Foram devolvidas apenas 15% das carteiras sem foto, pouco mais de 25% das que traziam a imagem dos velhinhos, 48% das da família, 53% das do filhotinho e 88% das do bebê.</p>
<p>O experimento ilustra como o cérebro opera. Embora tenhamos nos acostumado a pensar que tomamos decisões pesando prós e contras de cada uma das alternativas possíveis e extraindo com base nisso uma conclusão, o que os estudos psicológicos e neurocientíficos mostram é que, na maioria das ocasiões, a parte inconsciente de nossa mente chega de imediato a uma conclusão, por meio de sentimentos, palpites ou intuições. Neste instante, são os vieses cognitivos que estão operando.</p>
<p>Em seguida, a porção racional de nosso cérebro se põe a procurar e elaborar argumentos racionais (ou quase) para justificar essa conclusão. É muito mais uma conta de chegada do que um cálculo honesto.</p>
<p>SIGNIFICADO</p>
<p>O neurocientista norte-americano Michael Gazzaniga trabalha bem essa questão. Ele identifica no hemisfério esquerdo estruturas que buscam dar sentido ao mundo. O pesquisador as chama de &#8220;intérprete do hemisfério esquerdo&#8221;. É ele que busca desesperadamente um significado unificado a todas as nossas experiências, memórias e fragmentos de informação.</p>
<p>Ele nos faz deixar de ver as evidências que não nos interessam e atribui enorme peso a tudo o que apoia a nossa tese. Quando a história não fecha, pior para a verossimilhança: o intérprete não hesita em criar desculpas esfarrapadas e explicações que beiram o delírio.</p>
<p>Quem resume bem a situação é Robert Wright, em &#8220;Animal Moral&#8221; (Campus BB, 2005, esgotado): &#8220;O cérebro é como um bom advogado: dado um conjunto de interesses a defender, ele se põe a convencer o mundo de sua correção lógica e moral, independentemente de ter qualquer uma das duas. Como um advogado, o cérebro humano quer vitória, não verdade; e, como um advogado, ele é muitas vezes mais admirável por sua habilidade do que por sua virtude&#8221;.</p>
<p>Voltando ao trabalho de Mercier e Sperber, ele é bom porque consolida numa argumentação sólida explicações evolutivas para vários dos vieses, em especial o &#8220;viés de confirmação&#8221;, pelo qual fechamos os olhos para as evidências que não corroboram nossas crenças e expectativas e sobrevalorizamos aquelas que apoiam nossas teses.</p>
<p>Sob o modelo clássico, o viés de confirmação é uma falha de raciocínio mais ou menos inexplicável. Mas, se a razão evoluiu para nos fazer vencer em debates, então faz sentido que eu busque apenas provas em favor da minha teoria, e não contra ela.</p>
<p>As implicações são fortes. A mais óbvia é que a razão só funciona bem como fenômeno social. Se pensarmos sozinhos, vamos muito provavelmente chafurdar cada vez mais em nossas próprias intuições e preconceitos. Mas, se a utilizarmos no contexto de discussões mais ou menos estruturadas, aumentam bastante as chances de, como grupo, nos darmos bem.</p>
<p>Temos então um aparente paradoxo: as pessoas trabalham melhor sozinhas, mas a construção do conhecimento é um processo coletivo. O ruído se dissolve se reinterpretarmos o &#8220;sozinhas&#8221; como &#8220;com privacidade, mas em constante diálogo (de preferência virtual) com outros especialistas&#8221;.</p>
<p>PATOLOGIAS</p>
<p>É preciso, porém, muito cuidado. A linha que separa a sabedoria das multidões dos delírios coletivos é tudo menos nítida. Como mostra toda uma linha de pesquisas iniciada por Irving Janis, da Universidade Yale, nos anos 70, grupos incubam uma série de patologias do pensamento.</p>
<p>A primeira delas é a polarização. Junte um punhado de gente com opiniões semelhantes, deixe-os conversando por um tempo e o grupo sairá com convicções mais parecidas e mais radicais. Provavelmente é assim que nascem facções como o Tea Party, que reúne ultraconservadores radicais nos EUA, e até mesmo organizações terroristas. O advento da internet e das redes sociais pode estar facilitando a formação desses bandos.</p>
<p>A animosidade é outro elemento importante. Ponha um corintiano e um palmeirense para discutir futebol numa sala. Eles discordarão, mas provavelmente se tratarão com civilidade. Entretanto, se você colocar cem de cada lado, quase certamente produzirá xingamentos e até pontapés, quando não tragédias.</p>
<p>Há, por fim, a conformidade. Grupos tendem a suprimir o dissenso. Mais do que isso, procuram censurar dúvidas que um dos membros possa nutrir e ignorar evidências que contrariem o consenso que se forma. É esse o segredo do sucesso das religiões.</p>
<p>Nesse contexto, são especialmente divertidos os experimentos do psicólogo Solomon Asch. Ele submeteu 123 voluntários a um teste tão ridiculamente fácil que ninguém poderia errar: exibia para eles um cartão que trazia estampada uma linha com determinado comprimento. Em seguida, num segundo cartão, apareciam três linhas marcadas com letras de A a C, umas com medidas bem diferentes das outras. A missão era identificar a letra cuja linha era igual à do primeiro cartão. Em 35 tentativas, apenas um infeliz deu a resposta errada.</p>
<p>Mas (sempre há um &#8220;mas&#8221; em ciência), quando o pesquisador pôs comparsas seus para dar propositalmente respostas erradas antes do voluntário, a taxa de acertos despencava de 97% para 25%. Resultados parecidos foram reproduzidos no mundo inteiro.</p>
<p>As incursões de Asch pelos perigos da conformidade inspiraram outros experimentos famosos, como os de Stanley Milgram (no qual, pressionadas por um pesquisador, as cobaias não hesitam em dar choques que acreditam ser quase fatais num ator) e de Phil Zimbardo (ele simulou uma prisão num porão da Universidade Stanford, e os voluntários que faziam o papel de guardas se tornaram tão violentos que a encenação teve de ser interrompida).</p>
<p>DÚVIDA</p>
<p>O melhor remédio contra essas doenças do grupo é semear a dúvida, em especial se o questionamento surgir de um membro respeitado do próprio grupo. Como mostram Ori e Rom Brafman em &#8220;Sway: The Irresistible Pull of Irrational Behavior&#8221; [Broadway Books, 224 págs., R$ 19], a existência de pessoas &#8220;do contra&#8221; (&#8220;dissenters&#8221;, em inglês) são nossa melhor esperança.</p>
<p>Embora possa produzir fricções de alto custo emocional para todas as partes envolvidas, a figura do &#8220;dissenter&#8221; costuma levar a maioria a reformular seus argumentos (ou projetos), de modo a responder a objeções percebidas como relevantes. Essa dinâmica fica particularmente clara em situações como a de tribunais colegiados, comissões legislativas e na própria ciência. É praticamente o inverso de um &#8220;brainstorming&#8221;, onde a regra era não criticar.</p>
<p>O &#8220;do contra&#8221; aqui, ainda que possa provocar brigas homéricas, é um elemento fundamental para melhorar a qualidade do trabalho. O diálogo, vale frisar, nem precisa ser ao vivo. É preciso criar mecanismos que questionem os consensos.</p>
<p>Embora não exista receita para ter boas ideias, é possível melhorar seu desempenho se conseguir trabalhar num ambiente que lhe proporcione privacidade e o poupe de interrupções. Normalmente, é melhor estar sozinho, mas sem jamais se alijar dos debates travados em seu campo de atuação.</p>
<p>Quando precisar juntar colaboradores, mais vale reunir grupos heterogêneos, com um número razoável de pessoas &#8220;do contra&#8221;. Eles reduzem os riscos das patologias da conformidade. Em vez dos elogios, prefira as críticas. Apesar de desgastantes, são elas que vão ajudá-lo a melhorar suas ideias. E, mais importante, não acredite em fórmulas prontas. </p>
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		<title>LEI DE GRESHAM</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 19:53:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Belo</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARTIGOS]]></category>
		<category><![CDATA[CONHECIMENTO]]></category>
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		<category><![CDATA[INFORMAÇÃO]]></category>

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		<description><![CDATA[Reflexão importante e interessante. Ver, mas pensar. Saiu na Folha, em outubro de 2011. A elusiva grande ideia NEAL GABLER OPINIÃO As ideias não são mais o que eram antes. Antigamente, elas incendiavam debates, estimulavam outros pensamentos, incitavam revoluções e alteravam a maneira como vemos e pensamos o mundo. Elas podiam penetrar na cultura geral [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Reflexão importante e interessante.<br />
Ver, mas pensar.</p>
<p>Saiu na <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny2208201101.htm" target="_blank">Folha</a>, em outubro de 2011.</p>
<p><strong>A elusiva grande ideia</strong></p>
<p>NEAL GABLER<br />
<em>OPINIÃO</em></p>
<p>As ideias não são mais o que eram antes. Antigamente, elas incendiavam debates, estimulavam outros pensamentos, incitavam revoluções e alteravam a maneira como vemos e pensamos o mundo.</p>
<p>Elas podiam penetrar na cultura geral e transformar pensadores em celebridades -caso notável de Albert Einstein, mas também de Reinhold Niebuhr, Daniel Bell, Betty Friedan, Carl Sagan e Stephen Jay Gould, para citar alguns. As próprias ideias podiam ficar famosas -&#8221;o fim das ideologias&#8221;, &#8220;o meio é a mensagem&#8221; &#8220;a mística feminina&#8221;, &#8220;a teoria do Big Bang&#8221;, &#8220;o fim da história&#8221;. Uma grande ideia podia ser capa da &#8220;Time&#8221; -&#8221;Deus morreu?&#8221;-, e intelectuais americanos como Norman Mailer, William Buckley Jr. e Gore Vidal eram eventualmente convidados para &#8220;talk shows&#8221; de TV. Como isso faz tempo.</p>
<p>Se nossas ideias agora parecem menores, não é por sermos mais burros do que nossos antepassados, mas simplesmente porque não ligamos mais tanto para elas. Agora, ideias que não podem ser instantaneamente monetizadas têm tão pouco valor intrínseco que cada vez menos pessoas estão gerando-as, e cada vez menos veículos as disseminam.</p>
<p>Não é segredo, especialmente nos EUA, que vivemos numa era pós-iluminista em que a racionalidade, a ciência, a argumentação lógica e o debate perderam a batalha em muitos setores para a superstição, a fé, a opinião e a ortodoxia. Retrocedemos de modos avançados do pensamento para velhas crenças.</p>
<p>O guru ofusca o intelectual público, substituindo a reflexão pelo escândalo. O ensaio entrou em declínio nas revistas de interesse geral. E há a ascensão de uma cultura cada vez mais visual, especialmente entre os jovens -o que dificulta a expressão das ideias.</p>
<p>Mas a verdadeira causa de um mundo pós-ideias pode ser a própria informação. Numa época em que sabemos mais do que nunca, pensamos menos a respeito disso.</p>
<p>Graças à internet, parece que temos acesso imediato a qualquer coisa que se possa querer saber. No passado, por outro lado, coletávamos informações não apenas para saber as coisas, mas também para convertê-las em algo maior e eventualmente mais útil do que meros fatos -em ideias que davam sentido à informação. Buscávamos não só apreender o mundo como também compreendê-lo, o que é a função primária das ideias. Grandes ideias explicam o mundo e nos explicam.</p>
<p>Mas se a informação já foi a matéria-prima das ideias, ela se tornou, na última década, concorrente destas. Somos inundados por tantas informações que nem se quiséssemos -e a maioria não quer- teríamos tempo de processá-las.</p>
<p>A coleção em si é exaustiva: o que cada um dos nosso amigos está fazendo num momento específico e no próximo; com quem a Jennifer Aniston está saindo; qual vídeo se tornou viral no YouTube na última hora.</p>
<p>Com efeito, estamos vivendo sob uma lei de Gresham [um conceito econômico] aplicada à informação, em que a informação trivial expulsa a informação significativa, mas também sob uma lei de Gresham aplicada às ideias, em que a informação, trivial ou não, expulsa as ideias.</p>
<p>Preferimos saber a pensar, pois saber tem mais valor imediato. O saber nos mantém no circuito, conectados. Certamente não é por acaso que o mundo pós-ideias tenha brotado junto com o mundo das redes sociais.</p>
<p>Embora haja sites e blogs dedicados às ideias, o Twitter, o Facebook, o MySpace, o Flickr e outros são basicamente Bolsas de informação, criadas para alimentar a fome por informação, embora raramente o tipo de informação que gere ideias. É, em grande parte, algo inútil, exceto na medida em que faz o possuidor da informação se sentir informado. E esses sites estão suplantando o texto impresso, que é onde as ideias tipicamente têm sido gestadas.</p>
<p>São formas de distração ou de antipensamento.</p>
<p>As implicações de uma sociedade que já não pensa grande são enormes. Ideias não são apenas brinquedos intelectuais. Elas têm efeitos práticos.<br />
Um amigo meu se perguntou, por exemplo, onde estão os novos John Rawls e Robert Nozick, filósofos capazes de elevarem a nossa política.</p>
<p>Pode-se certamente argumentar o mesmo a respeito da economia onde John Maynard Keynes continua a ser o centro do debate quase 80 anos depois de propor a sua teoria do estímulo governamental.</p>
<p>Isso não quer dizer que os sucessores de Rawls e Keynes não existam, mas é improvável que eles consigam ganhar força numa cultura que vê tão pouca utilidade nas ideias. Todos os pensadores são vítimas do excesso de informação.</p>
<p>Sem dúvida haverá quem diga que as grandes ideias migraram para o mercado, mas há uma enorme diferença entre as invenções voltadas para o lucro e os pensamentos intelectualmente desafiadores. Alguns empreendedores, como Steve Jobs, da Apple, já tiveram ideias brilhantes, no sentido &#8220;inventivo&#8221; da palavra.</p>
<p>Essas ideias, porém, podem mudar a maneira como vivemos, mas não a forma como pensamos. Elas são materiais, e não relacionadas ao universo das ideias propriamente ditas. A nossa carência é de pensadores.</p>
<p>Nós nos tornamos narcisistas da informação, tão desinteressados por qualquer coisa alheia a nós ou ao nosso círculo de amizades, ou por qualquer migalha que não possamos dividir com esses amigos, que se um Marx ou Nietzsche de repente aparecesse berrando suas ideias ninguém prestaria a mínima atenção -certamente não a mídia geral, que aprendeu a atender ao nosso narcisismo.</p>
<p>O que o futuro anuncia é um volume cada vez maior de informação -Everests dela. Não haverá nada que não saibamos. Mas não haverá ninguém pensando a respeito. Pense nisso.</p>
<p><em>Neal Gabler é o autor de &#8220;Walt Disney: O Triunfo da Imaginação Americana&#8221; </em></p>
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		<title>MESMICE</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 18:28:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Belo</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARTIGOS]]></category>
		<category><![CDATA[CRIATIVIDADE]]></category>
		<category><![CDATA[FOLHA]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 12 de setembro de 2011, Ricardo Semler, autor do best-seller Você está louco!, e articulista da Folha escreveu sobre um assunto banal, mas que não deixa de ser relevante. Muitas vezes, nos vemos diante dessa armadilha. A mesmice deixa o mundo cansativo. Boa leitura. Preto e prata, preto e prata Como se camaleões fôssemos, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em 12 de setembro de 2011, Ricardo Semler, autor do best-seller <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=3201336&#038;sid=62136623113926527535739853" target="_blank"><em>Você está louco!</em></a>, e articulista da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saber/sb1209201104.htm" target="_blank">Folha</a> escreveu sobre um assunto banal, mas que não deixa de ser relevante. Muitas vezes, nos vemos diante dessa armadilha. A mesmice deixa o mundo cansativo. Boa leitura.</p>
<p><strong>Preto e prata, preto e prata</strong><br />
<em>Como se camaleões fôssemos, evitamos o realce; estamos protegidos se escolhemos a mesmice</em></p>
<p>Preste atenção e verá que quase todo carro é preto ou prata. Inclui cinza, digamos. Ando intrigado, nas estradas, pela hegemonia dessa paleta de cores, que soma 86% das escolhas.</p>
<p>Será que o brasileiro é um tanto triste, por isso fica entre nuances cinzentas? Seria diferente em outros países? E essas escolhas teriam relação com a uniformização iniciada na escola?</p>
<p>A DuPont estuda essa questão há 55 anos. Nos EUA há agora a tendência pelo branco. Na Itália e França vence uma cor que aqui não faz qualquer sucesso: o bege. Apenas na China é que o laranja sobressai. Na Escandinávia impera o prata, como em muitas regiões do mundo. Tem a razão leiga, que diz que carros cinzentos e pretos são mais fáceis de revender, e portanto vendem mais. Na linha do vende mais porque é fresquinho, e é fresquinho porque vende mais. Custo de seguro e chance de ser roubado não são muito relevantes.</p>
<p>Se olharmos para executivos num restaurante veremos cores básicas nos ternos e tailleurs. Se subirmos o olhar para a arquitetura de edifícios, veremos o triste e conservador neoclássico, e o bege nas paredes cansadas. Se procurarmos nas escolas algum alívio arquitetônico, seremos oprimidos pela mesmice.</p>
<p>Nas escolas infantis seremos derrotados pelas paredes internas coloridas, o exterior branco, um tanto de verde no paisagismo e um ar pseudofeliz de todos os adultos. As crianças têm e emprestam o animus que acende essa mesmice mesmo quando elas são uniformizadas com a exaustiva roupinha que faz delas um clichê ambulante.</p>
<p>As cores dos carros refletem, sim, um conservadorismo tribal. Como uniformes infantis. Somos criaturas de hábito, e esses hábitos miram a segurança. O alvo é o pertencer. Como se camaleões fôssemos, queremos evitar o realce. Estaremos mais protegidos dos inimigos, do roubo, do acidente, se escolhermos a mesmice. Camuflados pela perda de identidade, podemos relaxar.</p>
<p>Mas isso não é rota para a escola. É hora de começarmos a inovar. Não é outra a razão para a sala de aula, mesmo nestes tempos digitais, ter a mesma cara de 1860. Há muito tempo deveríamos ter abolido as carteiras, a lousa (e seus fac-símiles), e mesmo o edifício da escola como centro da educação.</p>
<p>Está na hora de pensarmos em diminuir a uniformidade que começa no infantil e que forma esses adultos que têm medo de escolher um carro ou roupa mais coloridos.</p>
<p>Centrar a educação em um aluno por vez não passa de clichê. Pensemos no que a escola pode arriscar, para que termine esta linha de montagem igualzinha, que produz estes adultos iguaizinhos para este mercado de trabalho igualzinho.</p>
<p>Mesmo tendo um carro prata, e o da minha esposa sendo preto, conclamo: haja uniformidade, minha gente, haja preto e prata.</p>
<p><em>RICARDO SEMLER, 52, é empresário. Foi scholar da Harvard Law School e professor de MBA no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Foi escolhido pelo Fórum Econômico de Davos como um dos Líderes Globais do Amanhã. Escreveu dois livros (&#8220;Virando a Própria Mesa&#8221; e &#8220;Você Está Louco&#8221;) que venderam juntos 2 milhões de cópias em 34 línguas. </em></p>
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		<title>SEM MAIS DELONGAS</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2011 04:06:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Belo</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARTIGOS]]></category>
		<category><![CDATA[THE NEW YORKER]]></category>
		<category><![CDATA[PROCRASTINAR]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse artigo, da The New Yorker, nos dá um tapa, em cheio, na cara, dois socos na barriga e um peteleco na orelha. Brilhante explanação sobre a arte humana de procrastinar. E o referido livro, que já está na wish list, parece imperdível. Vai deixar pra ler depois? Later What does procrastination tell us about [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Esse <a href="http://www.newyorker.com/arts/critics/books/2010/10/11/101011crbo_books_surowiecki?currentPage=all" target="_blank">artigo</a>, da <a href="http://www.newyorker.com/" target="_blank">The New Yorker</a>, nos dá um tapa, em cheio, na cara, dois socos na barriga e um peteleco na orelha. </p>
<p>Brilhante explanação sobre a arte humana de procrastinar. E o referido <a href="http://www.amazon.com/Thief-Time-Philosophical-Essays-Procrastination/dp/0195376684/ref=reg_hu-rd_add_1_dp" target="_blank">livro</a>, que já está na wish list, parece imperdível.</p>
<p>Vai deixar pra ler depois?</p>
<p><strong>Later</strong></p>
<p><em>What does procrastination tell us about ourselves?<br />
by James Surowiecki October 11, 2010<br />
Procrastination interests philosophers because of its underlying irrationality.</em></p>
<p><center><a href="http://www.amodesign.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/08/101011_r20069_p233.jpg"><img src="http://www.amodesign.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/08/101011_r20069_p233.jpg" alt="" title="101011_r20069_p233" width="233" height="316" class="aligncenter size-full wp-image-459" /></a></center></p>
<p>Some years ago, the economist George Akerlof found himself faced with a simple task: mailing a box of clothes from India, where he was living, to the United States. The clothes belonged to his friend and colleague Joseph Stiglitz, who had left them behind when visiting, so Akerlof was eager to send the box off. But there was a problem. The combination of Indian bureaucracy and what Akerlof called “my own ineptitude in such matters” meant that doing so was going to be a hassle—indeed, he estimated that it would take an entire workday. So he put off dealing with it, week after week. This went on for more than eight months, and it was only shortly before Akerlof himself returned home that he managed to solve his problem: another friend happened to be sending some things back to the U.S., and Akerlof was able to add Stiglitz’s clothes to the shipment. Given the vagaries of intercontinental mail, it’s possible that Akerlof made it back to the States before Stiglitz’s shirts did.</p>
<p>There’s something comforting about this story: even Nobel-winning economists procrastinate! Many of us go through life with an array of undone tasks, large and small, nibbling at our conscience. But Akerlof saw the experience, for all its familiarity, as mysterious. He genuinely intended to send the box to his friend, yet, as he wrote, in a paper called “Procrastination and Obedience” (1991), “each morning for over eight months I woke up and decided that the next morning would be the day to send the Stiglitz box.” He was always about to send the box, but the moment to act never arrived. Akerlof, who became one of the central figures in behavioral economics, came to the realization that procrastination might be more than just a bad habit. He argued that it revealed something important about the limits of rational thinking and that it could teach useful lessons about phenomena as diverse as substance abuse and savings habits. Since his essay was published, the study of procrastination has become a significant field in academia, with philosophers, psychologists, and economists all weighing in.</p>
<p>Academics, who work for long periods in a self-directed fashion, may be especially prone to putting things off: surveys suggest that the vast majority of college students procrastinate, and articles in the literature of procrastination often allude to the author’s own problems with finishing the piece. (This article will be no exception.) But the academic buzz around the subject isn’t just a case of eggheads rationalizing their slothfulness. As various scholars argue in “The Thief of Time,” edited by Chrisoula Andreou and Mark D. White (Oxford; $65)—a collection of essays on procrastination, ranging from the resolutely theoretical to the surprisingly practical—the tendency raises fundamental philosophical and psychological issues. You may have thought, the last time you blew off work on a presentation to watch “How I Met Your Mother,” that you were just slacking. But from another angle you were actually engaging in a practice that illuminates the fluidity of human identity and the complicated relationship human beings have to time. Indeed, one essay, by the economist George Ainslie, a central figure in the study of procrastination, argues that dragging our heels is “as fundamental as the shape of time and could well be called the basic impulse.”</p>
<p>Ainslie is probably right that procrastination is a basic human impulse, but anxiety about it as a serious problem seems to have emerged in the early modern era. The term itself (derived from a Latin word meaning “to put off for tomorrow”) entered the English language in the sixteenth century, and, by the eighteenth, Samuel Johnson was describing it as “one of the general weaknesses” that “prevail to a greater or less degree in every mind,” and lamenting the tendency in himself: “I could not forbear to reproach myself for having so long neglected what was unavoidably to be done, and of which every moment’s idleness increased the difficulty.” And the problem seems to be getting worse all the time. According to Piers Steel, a business professor at the University of Calgary, the percentage of people who admitted to difficulties with procrastination quadrupled between 1978 and 2002. In that light, it’s possible to see procrastination as the quintessential modern problem.</p>
<p>It’s also a surprisingly costly one. Each year, Americans waste hundreds of millions of dollars because they don’t file their taxes on time. The Harvard economist David Laibson has shown that American workers have forgone huge amounts of money in matching 401(k) contributions because they never got around to signing up for a retirement plan. Seventy per cent of patients suffering from glaucoma risk blindness because they don’t use their eyedrops regularly. Procrastination also inflicts major costs on businesses and governments. The recent crisis of the euro was exacerbated by the German government’s dithering, and the decline of the American auto industry, exemplified by the bankruptcy of G.M., was due in part to executives’ penchant for delaying tough decisions. (In Alex Taylor’s recent history of G.M., “Sixty to Zero,” one of the key conclusions is “Procrastination doesn’t pay.”)</p>
<p>Philosophers are interested in procrastination for another reason. It’s a powerful example of what the Greeks called akrasia—doing something against one’s own better judgment. Piers Steel defines procrastination as willingly deferring something even though you expect the delay to make you worse off. In other words, if you’re simply saying “Eat, drink, and be merry, for tomorrow we die,” you’re not really procrastinating. Knowingly delaying because you think that’s the most efficient use of your time doesn’t count, either. The essence of procrastination lies in not doing what you think you should be doing, a mental contortion that surely accounts for the great psychic toll the habit takes on people. This is the perplexing thing about procrastination: although it seems to involve avoiding unpleasant tasks, indulging in it generally doesn’t make people happy. In one study, sixty-five per cent of students surveyed before they started working on a term paper said they would like to avoid procrastinating: they knew both that they wouldn’t do the work on time and that the delay would make them unhappy.</p>
<p>Most of the contributors to the new book agree that this peculiar irrationality stems from our relationship to time—in particular, from a tendency that economists call “hyperbolic discounting.” A two-stage experiment provides a classic illustration: In the first stage, people are offered the choice between a hundred dollars today or a hundred and ten dollars tomorrow; in the second stage, they choose between a hundred dollars a month from now or a hundred and ten dollars a month and a day from now. In substance, the two choices are identical: wait an extra day, get an extra ten bucks. Yet, in the first stage many people choose to take the smaller sum immediately, whereas in the second they prefer to wait one more day and get the extra ten bucks. In other words, hyperbolic discounters are able to make the rational choice when they’re thinking about the future, but, as the present gets closer, short-term considerations overwhelm their long-term goals. A similar phenomenon is at work in an experiment run by a group including the economist George Loewenstein, in which people were asked to pick one movie to watch that night and one to watch at a later date. Not surprisingly, for the movie they wanted to watch immediately, people tended to pick lowbrow comedies and blockbusters, but when asked what movie they wanted to watch later they were more likely to pick serious, important films. The problem, of course, is that when the time comes to watch the serious movie, another frothy one will often seem more appealing. This is why Netflix queues are filled with movies that never get watched: our responsible selves put “Hotel Rwanda” and “The Seventh Seal” in our queue, but when the time comes we end up in front of a rerun of “The Hangover.”</p>
<p>The lesson of these experiments is not that people are shortsighted or shallow but that their preferences aren’t consistent over time. We want to watch the Bergman masterpiece, to give ourselves enough time to write the report properly, to set aside money for retirement. But our desires shift as the long run becomes the short run.</p>
<p>Why does this happen? One common answer is ignorance. Socrates believed that akrasia was, strictly speaking, impossible, since we could not want what is bad for us; if we act against our own interests, it must be because we don’t know what’s right. Loewenstein, similarly, is inclined to see the procrastinator as led astray by the “visceral” rewards of the present. As the nineteenth-century Scottish economist John Rae put it, “The prospects of future good, which future years may hold on us, seem at such a moment dull and dubious, and are apt to be slighted, for objects on which the daylight is falling strongly, and showing us in all their freshness just within our grasp.” Loewenstein also suggests that our memory for the intensity of visceral rewards is deficient: when we put off preparing for that meeting by telling ourselves that we’ll do it tomorrow, we fail to take into account that tomorrow the temptation to put off work will be just as strong.</p>
<p>Ignorance might also affect procrastination through what the social scientist Jon Elster calls “the planning fallacy.” Elster thinks that people underestimate the time “it will take them to complete a given task, partly because they fail to take account of how long it has taken them to complete similar projects in the past and partly because they rely on smooth scenarios in which accidents or unforeseen problems never occur.” When I was writing this piece, for instance, I had to take my car into the shop, I had to take two unanticipated trips, a family member fell ill, and so on. Each of these events was, strictly speaking, unexpected, and each took time away from my work. But they were really just the kinds of problems you predictably have to deal with in everyday life. Pretending I wouldn’t have any interruptions to my work was a typical illustration of the planning fallacy.</p>
<p><span id="more-458"></span></p>
<p>Still, ignorance can’t be the whole story. In the first place, we often procrastinate not by doing fun tasks but by doing jobs whose only allure is that they aren’t what we should be doing. My apartment, for instance, has rarely looked tidier than it does at the moment. And people do learn from experience: procrastinators know all too well the allures of the salient present, and they want to resist them. They just don’t. A magazine editor I know, for instance, once had a writer tell her at noon on a Wednesday that the time-sensitive piece he was working on would be in her in-box by the time she got back from lunch. She did eventually get the piece—the following Tuesday. So a fuller explanation of procrastination really needs to take account of our attitudes to the tasks being avoided. A useful example can be found in the career of General George McClellan, who led the Army of the Potomac during the early years of the Civil War and was one of the greatest procrastinators of all time. When he took charge of the Union army, McClellan was considered a military genius, but he soon became famous for his chronic hesitancy. In 1862, despite an excellent opportunity to take Richmond from Robert E. Lee’s men, with another Union army attacking in a pincer move, he dillydallied, convinced that he was blocked by hordes of Confederate soldiers, and missed his chance. Later that year, both before and after Antietam, he delayed again, squandering a two-to-one advantage over Lee’s troops. Afterward, Union General-in-Chief Henry Halleck wrote, “There is an immobility here that exceeds all that any man can conceive of. It requires the lever of Archimedes to move this inert mass.”</p>
<p>McClellan’s “immobility” highlights several classic reasons we procrastinate. Although when he took over the Union army he told Lincoln “I can do it all,” he seems to have been unsure that he could do anything. He was perpetually imploring Lincoln for new weapons, and, in the words of one observer, “he felt he never had enough troops, well enough trained or equipped.” Lack of confidence, sometimes alternating with unrealistic dreams of heroic success, often leads to procrastination, and many studies suggest that procrastinators are self-handicappers: rather than risk failure, they prefer to create conditions that make success impossible, a reflex that of course creates a vicious cycle. McClellan was also given to excessive planning, as if only the ideal battle plan were worth acting on. Procrastinators often succumb to this sort of perfectionism.</p>
<p>Viewed this way, procrastination starts to look less like a question of mere ignorance than like a complex mixture of weakness, ambition, and inner conflict. But some of the philosophers in “The Thief of Time” have a more radical explanation for the gap between what we want to do and what we end up doing: the person who makes plans and the person who fails to carry them out are not really the same person: they’re different parts of what the game theorist Thomas Schelling called “the divided self.” Schelling proposes that we think of ourselves not as unified selves but as different beings, jostling, contending, and bargaining for control. Ian McEwan evokes this state in his recent novel “Solar”: “At moments of important decision-making, the mind could be considered as a parliament, a debating chamber. Different factions contended, short- and long-term interests were entrenched in mutual loathing. Not only were motions tabled and opposed, certain proposals were aired in order to mask others. Sessions could be devious as well as stormy.” Similarly, Otto von Bismarck said, “Faust complained about having two souls in his breast, but I harbor a whole crowd of them and they quarrel. It is like being in a republic.” In that sense, the first step to dealing with procrastination isn’t admitting that you have a problem. It’s admitting that your “you”s have a problem.</p>
<p>If identity is a collection of competing selves, what does each of them represent? The easy answer is that one represents your short-term interests (having fun, putting off work, and so on), while another represents your long-term goals. But, if that’s the case, it’s not obvious how you’d ever get anything done: the short-term self, it seems, would always win out. The philosopher Don Ross offers a persuasive solution to the problem. For Ross, the various parts of the self are all present at once, constantly competing and bargaining with one another—one that wants to work, one that wants to watch television, and so on. The key, for Ross, is that although the television-watching self is interested only in watching TV, it’s interested in watching TV not just now but also in the future. This means that it can be bargained with: working now will let you watch more television down the road. Procrastination, in this reading, is the result of a bargaining process gone wrong.</p>
<p>The idea of the divided self, though discomfiting to some, can be liberating in practical terms, because it encourages you to stop thinking about procrastination as something you can beat by just trying harder. Instead, we should rely on what Joseph Heath and Joel Anderson, in their essay in “The Thief of Time,” call “the extended will”—external tools and techniques to help the parts of our selves that want to work. A classic illustration of the extended will at work is Ulysses’ decision to have his men bind him to the mast of his ship. Ulysses knows that when he hears the Sirens he will be too weak to resist steering the ship onto the rocks in pursuit of them, so he has his men bind him, thereby forcing him to adhere to his long-term aims. Similarly, Thomas Schelling once said that he would be willing to pay extra in advance for a hotel room without a television in it. Today, problem gamblers write contracts with casinos banning them from the premises. And people who are trying to lose weight or finish a project will sometimes make bets with their friends so that if they don’t deliver on their promise it’ll cost them money. In 2008, a Ph.D. candidate at Chapel Hill wrote software that enables people to shut off their access to the Internet for up to eight hours; the program, called Freedom, now has an estimated seventy-five thousand users.</p>
<p>Not everyone in “The Thief of Time” approves of the reliance on the extended will. Mark D. White advances an idealist argument rooted in Kantian ethics: recognizing procrastination as a failure of will, we should seek to strengthen the will rather than relying on external controls that will allow it to atrophy further. This isn’t a completely fruitless task: much recent research suggests that will power is, in some ways, like a muscle and can be made stronger. The same research, though, also suggests that most of us have a limited amount of will power and that it’s easily exhausted. In one famous study, people who had been asked to restrain themselves from readily available temptation—in this case, a pile of chocolate-chip cookies that they weren’t allowed to touch—had a harder time persisting in a difficult task than people who were allowed to eat the cookies.</p>
<p>Given this tendency, it makes sense that we often rely intuitively on external rules to help ourselves out. A few years ago, Dan Ariely, a psychologist at M.I.T., did a fascinating experiment examining one of the most basic external tools for dealing with procrastination: deadlines. Students in a class were assigned three papers for the semester, and they were given a choice: they could set separate deadlines for when they had to hand in each of the papers or they could hand them all in together at the end of the semester. There was no benefit to handing the papers in early, since they were all going to be graded at semester’s end, and there was a potential cost to setting the deadlines, since if you missed a deadline your grade would be docked. So the rational thing to do was to hand in all the papers at the end of the semester; that way you’d be free to write the papers sooner but not at risk of a penalty if you didn’t get around to it. Yet most of the students chose to set separate deadlines for each paper, precisely because they knew that they were otherwise unlikely to get around to working on the papers early, which meant they ran the risk of not finishing all three by the end of the semester. This is the essence of the extended will: instead of trusting themselves, the students relied on an outside tool to make themselves do what they actually wanted to do.</p>
<p>Beyond self-binding, there are other ways to avoid dragging your feet, most of which depend on what psychologists might call reframing the task in front of you. Procrastination is driven, in part, by the gap between effort (which is required now) and reward (which you reap only in the future, if ever). So narrowing that gap, by whatever means necessary, helps. Since open-ended tasks with distant deadlines are much easier to postpone than focussed, short-term projects, dividing projects into smaller, more defined sections helps. That’s why David Allen, the author of the best-selling time-management book “Getting Things Done,” lays great emphasis on classification and definition: the vaguer the task, or the more abstract the thinking it requires, the less likely you are to finish it. One German study suggests that just getting people to think about concrete problems (like how to open a bank account) makes them better at finishing their work—even when it deals with a completely different subject. Another way of making procrastination less likely is to reduce the amount of choice we have: often when people are afraid of making the wrong choice they end up doing nothing. So companies might be better off offering their employees fewer investment choices in their 401(k) plans, and making signing up for the plan the default option.</p>
<p>It’s hard to ignore the fact that all these tools are at root about imposing limits and narrowing options—in other words, about a voluntary abnegation of freedom. (Victor Hugo would write naked and tell his valet to hide his clothes so that he’d be unable to go outside when he was supposed to be writing.) But before we rush to overcome procrastination we should consider whether it is sometimes an impulse we should heed. The philosopher Mark Kingwell puts it in existential terms: “Procrastination most often arises from a sense that there is too much to do, and hence no single aspect of the to-do worth doing. . . . Underneath this rather antic form of action-as-inaction is the much more unsettling question whether anything is worth doing at all.” In that sense, it might be useful to think about two kinds of procrastination: the kind that is genuinely akratic and the kind that’s telling you that what you’re supposed to be doing has, deep down, no real point. The procrastinator’s challenge, and perhaps the philosopher’s, too, is to figure out which is which. ♦</p>
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		<title>CICLO DE CARREIRA</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 17:34:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Belo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Interessante o artigo da Betânia Tanure, no Valor, de hoje. Um assunto muito abordado também na FDC, demonstra como é importante o auto-policiamento das nossas ações e atitudes. Os quatro estágios do ciclo de carreira de todo CEO O ciclo de carreira de qualquer pessoa, em qualquer posição, tem quatro estágios. Pensemos no CEO. Quando [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Interessante o artigo da Betânia Tanure, no <a href="http://www.valoronline.com.br/impresso/eu-carreira/108/475447/os-quatro-estagios-do-ciclo-de-carreira-de-todo-ceo" target="_blank">Valor</a>, de hoje. Um assunto muito abordado também na <a href="http://www.fdc.org.br/" target="_blank">FDC</a>, demonstra como é importante o auto-policiamento das nossas ações e atitudes.</p>
<p><strong>Os quatro estágios do ciclo de carreira de todo CEO</strong></p>
<p>O ciclo de carreira de qualquer pessoa, em qualquer posição, tem quatro estágios. Pensemos no CEO. Quando ele assume a função, seja ou não pela primeira vez, é importante, como parte de sua atuação no primeiro estágio, aculturar-se, entender a organização e observar qual é a perspectiva de orquestrador geral no novo ambiente.</p>
<p>Para quem inicia a carreira de CEO, o processo de aculturação não é o mesmo de quem já exerceu o cargo em outras empresas. Uma diferença importante está nas expectativas pessoais quanto à nova função. Muitas vezes a sensação de quem chega à presidência é de &#8220;finalmente consegui!&#8221; Em pouco tempo, porém, surgem alguns questionamentos: &#8220;Era isso mesmo? Tudo indica que não vou ficar tão independente como imaginava&#8221;. Ele observa que tem um board como seu chefe: &#8220;Tudo o que eu cobrava do meu presidente, agora é comigo&#8230;&#8221; E que, mesmo após adaptar-se a isso, os desafios que ele tem a enfrentar não são pequenos.</p>
<p>É no primeiro estágio que o CEO deve sair da posição comum de quem garante diretamente o resultado do business para a de quem tem como principal tarefa &#8220;recalibrar&#8221; o foco e a energia pensando no curto e no longo prazos. Trata-se de uma atuação mais estratégica e institucional, a qual nem todos os executivos &#8211; mesmo que excepcionais gestores de unidades de negócio ou funcionais &#8211; querem ou sabem realizar. Tanto o CEO iniciante quanto o mais experiente têm pontos a desenvolver. Um deles, aliás, é o de lidar com o legado do presidente anterior, que, muitas vezes inconscientemente, criou algumas armadilhas para manter seu sucesso, as quais podem comprometer o desempenho da nova etapa.</p>
<p>O novo líder enfrenta ainda as expectativas dos seus liderados. Uma delas é de que seja o &#8220;salvador da pátria&#8221;, especialmente quando a empresa está em situação difícil e ele vem de fora. A ansiedade é grande também para ele. Um novo jogo de poder será estabelecido. Então o que deve fazer? Ouvir, ouvir e ouvir. Com isso, e no tempo certo, compreenderá melhor o sentimento geral, inclusive os seus, e não estará sujeito à armadilha de se colocar como &#8220;todo-poderoso&#8221;, aquele que tem todas as respostas e soluções para todas as pessoas. Caso contrário, pulará o estágio seguinte, da consolidação, e não se fortalecerá. Ou, como ocorre em alguns casos, irá direto para a quarta etapa, o que caracteriza o fracasso da escolha.</p>
<p>No segundo estágio já se conhecem razoavelmente o cenário e as variáveis mais importantes. Além disso, o mapa de poder, com seu dinamismo natural, já tem um novo desenho e os resultados começam a aparecer, o que contribui para a consolidação na liderança. Essa etapa é do esplendor da energia individual, empresarial e, portanto, de resultados.</p>
<p>Daí se passa para o terceiro estágio. Agora é necessário reinventar-se. As variáveis estão &#8220;sob controle&#8221; (ah, se isso fosse possível!). O modelo de negócios se altera cada vez mais rapidamente. Estamos na era das incertezas, na qual (como eu disse no último artigo desta coluna) o grande líder sozinho já não consegue ser vencedor. É um equívoco ele achar que o sucesso é só seu.</p>
<p>Não raramente, mesmo os que obtêm sucesso nessa etapa estão em posição de risco. É comum que pessoas bem-sucedidas se recusem a ouvir novas ideias. Ficam míopes, deixando que a arrogância, muitas vezes disfarçada de simplicidade, invada suas vidas. O controle e a burocracia dominam. Aí se desenha claramente o declínio. Quem está ao lado do líder durante essa etapa enxerga tal realidade antes dele. O protagonista está embevecido com o próprio sucesso e a própria história.</p>
<p>Um dos sinais de inteligência de um bom líder é a capacidade de perceber antes dos outros o fim e o início de cada um dos estágios de sua carreira. Há muito de emocional nessa capacidade. E quando chega a hora de mais uma vez se reinventar, de construir um novo ciclo, ele está verdadeiramente apto a evitar seu próprio declínio, a continuar na organização ou deixá-la, na busca de um novo desafio, outra empresa, outro momento de sua carreira.</p>
<p><em>Betania Tanure é doutora, professora da PUC Minas e consultora da BTA</em></p>
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		<pubDate>Thu, 04 Aug 2011 16:31:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Belo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gladwell fez uma importante reflexão sobre os tempos atuais na Folha, em 12/12/2010. Seu texto questiona o poder das redes sociais enquanto meio para o ativismo. Interessante que, um tempo depois de ler o texto, encontrei outro, no imprescindível Design Observer, que questiona as ideias do Malcolm Gladwell. No fim das contas, a discussão é [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gladwell.com/" target="_blank">Gladwell</a> fez uma importante reflexão sobre os tempos atuais na <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il1212201004.htm" target="_blank">Folha</a>, em 12/12/2010. Seu texto questiona o poder das redes sociais enquanto meio para o ativismo. Interessante que, um tempo depois de ler o texto, encontrei <a href="http://changeobserver.designobserver.com/feature/malcolm-gladwell-is-wrong/19008/" target="_blank">outro</a>, no imprescindível <a href="http://changeobserver.designobserver.com/" target="_blank">Design Observer</a>, que questiona as ideias do Malcolm Gladwell. No fim das contas, a discussão é interminável e penso que todo mundo pode estar certo!</p>
<p><strong>A revolução não será tuitada</strong><br />
<em>Os limites do ativismo político nas redes sociais</em></p>
<p><strong>RESUMO</strong><br />
<em>O ativismo em redes sociais como o Facebook e o Twitter deriva de vínculos fracos entre seus participantes, que não correm riscos reais como os militantes tradicionais, unidos por vínculos fortes, em ações hierarquizadas e de alto risco, tais como as organizadas durante a campanha pelos direitos civis nos EUA dos anos 60.</em></p>
<p>MALCOLM GLADWELL<br />
Tradução PAULO MIGLIACCI</p>
<p>ÀS QUATRO E MEIA da tarde da segunda-feira 1º/2/1960, quatro universitários se sentaram ao balcão da lanchonete de uma loja Woolworth&#8217;s no centro de Greensboro, na Carolina do Norte. Eram calouros na North Carolina A&#038;T, faculdade para negros localizada a pouco mais de 1 km dali.</p>
<p>&#8220;Um café, por favor&#8221;, disse um deles, Ezell Blair, à garçonete.</p>
<p>&#8220;Não atendemos crioulos aqui&#8221;, ela respondeu.</p>
<p>O comprido balcão em L comportava 66 pessoas sentadas; numa das pontas, comia-se de pé. Os assentos eram para os brancos. A área onde se comia de pé era para os negros. Outra funcionária, uma negra encarregada da estufa, tentou convencê-los a sair: &#8220;Vocês estão sendo burros, seus ignorantes!&#8221;. Eles não se mexeram.</p>
<p>Por volta das cinco e meia as portas principais da loja foram fechadas. Os quatro continuaram lá. Por fim, saíram por uma porta lateral. Do lado de fora, formara-se uma pequena multidão, incluindo um fotógrafo do jornal &#8220;Record&#8221;, de Grensboro. &#8220;Volto amanhã, com o A&#038;T College inteiro&#8221;, disse um dos universitários.</p>
<p>Na manhã seguinte, o protesto havia se expandido e o grupo somava 27 homens e quatro mulheres, em grande parte do mesmo alojamento dos quatro manifestantes originais. Os homens estavam de terno e gravata. Todos levaram material e ficaram no balcão, estudando. Na quarta, veio a adesão dos alunos do colégio &#8220;para crioulos&#8221; de Greensboro, a Dudley High, e o número de manifestantes subiu a 80. Na quinta, já eram 300, incluindo três brancas, do campus local da Universidade da Carolina do Norte.</p>
<p>No sábado, o protesto contava 600 pessoas, espalhadas pelas calçadas em torno da loja. Adolescentes brancos assistiam, acenando com bandeiras da Confederação.1 Alguém soltou um rojão. Ao meio-dia, chegou o time de futebol americano da A&#038;T. &#8220;Lá vêm os baderneiros&#8221;, berrou um dos estudantes brancos.</p>
<p>Na segunda seguinte, o protesto já havia chegado a Winston-Salem, a 40 km dali, e Durham, a 80 km. No dia seguinte, veio a adesão dos alunos do Fayetteville State Teachers College e do Johnson C. Smith College, em Charlotte, seguidos, na quarta, pelos alunos do St. Augustine&#8217;s College e da Universidade Shaw, em Raleigh. Na quinta e na sexta, o protesto atravessou as divisas do Estado e novas manifestações surgiram em Hampton e Portsmouth, na Virgínia; em Rock Hill, na Carolina do Sul; e em Chattanooga, no Tennessee. No final do mês, manifestações semelhantes estavam sendo realizadas em todo o sul dos Estados Unidos, chegando até o Texas, no oeste.</p>
<p><strong>FEBRE</strong> &#8220;Perguntei a cada um dos estudantes que encontrei como tinha sido o primeiro dia de protesto em seu campus&#8221;, escreveu o cientista político Michael Waltzer ?em artigo na revista &#8220;Dissent&#8221;. &#8220;A resposta foi sempre a mesma: &#8216;Foi uma febre. Todo mundo queria participar&#8217;.&#8221;</p>
<p>Por fim, cerca de 70 mil estudantes aderiram. Milhares deles foram detidos, e outros tantos se radicalizavam. Esses acontecimentos do começo dos anos 60 se tornaram uma guerra dos direitos civis que engolfou o sul dos Estados Unidos até o final da década -e tudo aconteceu sem e-mail, mensagens de texto, Facebook ou Twitter.</p>
<p><span id="more-386"></span></p>
<p>Dizem que o mundo passa por uma revolução. As novas ferramentas de redes sociais reinventaram o ativismo social. Com Facebook, Twitter e que tais, a relação tradicional entre autoridade política e vontade popular foi invertida, o que facilita a colaboração mútua e a organização dos desprovidos de poder e dá voz às suas preocupações.</p>
<p><strong>REVOLUÇÃO VIA TWITTER</strong> Quando 10 mil pessoas saíram às ruas na Moldova, no leste europeu, segundo trimestre de 2009, em protesto contra o governo comunista, a ação ganhou o nome de revolução via Twitter, por causa dos meios utilizados para arregimentar os manifestantes.</p>
<p>Meses depois, quando protestos estudantis abalaram Teerã, o Departamento de Estado americano tomou a providência inusual de solicitar ao Twitter que suspendesse uma pausa programada para manutenção do site, pois o governo não desejava que uma ferramenta tão vital estivesse inativa no auge das manifestações. &#8220;Sem o Twitter, o povo do Irã não se teria sentido capaz e confiante o bastante para sair em defesa da liberdade e da democracia&#8221;, escreveu o ex-assessor de segurança nacional Mark Pfeifle, clamando para que o Twitter ganhasse o Prêmio Nobel da Paz.</p>
<p>Se antes os ativistas eram definidos por suas causas, agora são definidos pelas ferramentas que empregam. Os guerreiros do Facebook entram na internet para pressionar por mudanças. &#8220;Vocês são a nossa grande esperança&#8221;, disse James Glassman, ex-alto funcionário do Departamento de Estado, a uma plateia de ciberativistas em recente conferência patrocinada por Facebook, AT&#038;T (companhia telefônica), Howcast (site de vídeos), MTV e Google.</p>
<p>Sites como o Facebook, disse Glassman, &#8220;oferecem aos EUA uma considerável vantagem competitiva diante dos terroristas. Algum tempo atrás, eu disse que &#8216;a Al Qaeda está jantando a gente na internet&#8217;. Já não é mais assim. A Al Qaeda continua parada na Web 1.0. A internet agora é interatividade e conversação&#8221;.</p>
<p><strong>CRÍTICA</strong> São alegações fortes e intrigantes. Que importa quem janta quem na internet? As pessoas que estão no Facebook são mesmo a nossa grande esperança? Quanto à chamada revolução via Twitter na Moldova, Evgeny Morozov, pesquisador na Universidade Stanford que vem sendo um dos mais persistentes críticos do evangelismo digital, aponta que a importância do Twitter é quase nula na Moldova, onde existem pouquíssimas contas desse serviço.</p>
<p>E o que aconteceu lá tampouco parece ter sido uma revolução, especialmente porque as manifestações -como sugeriu Anna Applebaum em artigo no &#8220;Washington Post&#8221;- na verdade podem ter sido uma encenação organizada pelo governo. (Num país paranoico com o revanchismo romeno, os manifestantes hastearam uma bandeira da Romênia na sede do Parlamento.)<br />
Já no caso do Irã, as pessoas que usaram o Twitter para comentar as manifestações viviam quase todas no Ocidente. &#8220;É hora de esclarecer o papel do Twitter nos acontecimentos do Irã&#8221;, escreveu Golnaz Esfandiari meses atrás, na revista &#8220;Foreign Policy&#8221;. &#8220;Em resumo: no Irã, não houve revolução via Twitter.&#8221;</p>
<p>O elenco de blogueiros proeminentes, como Andrew Sullivan, que defendeu o papel da rede social no Irã, acrescentou Esfandiari, não entendeu direito a situação. &#8220;Jornalistas ocidentais que não conseguiam -ou nem mesmo tentavam- se comunicar com gente no Irã simplesmente percorriam a lista de &#8216;tweets&#8217; em inglês, contendo a tag #iranelection&#8221;, 2 escreveu ela. &#8220;Enquanto isso, ninguém parece ter se perguntado por que pessoas que supostamente tentavam coordenar os protestos no Irã não estariam se comunicando em farsi, mas em outro idioma&#8221;.</p>
<p>Parte dessa grandiloquência é previsível. Inovadores tendem ao solipsismo. Volta e meia se empenham em enquadrar em seus novos modelos os fatos e experiências mais díspares.</p>
<p>Como escreveu o historiador Robert Darnton, &#8220;as maravilhas da tecnologia de comunicação no presente produziram uma falsa consciência sobre o passado -e até mesmo a percepção de que a comunicação não tem história, ou nada teve de importante a considerar antes dos dias da televisão e da internet&#8221;.</p>
<p><strong>ENTUSIASMO</strong> Mas há mais um fator em jogo nesse desproporcional entusiasmo em relação às redes sociais. Cinquenta anos depois de um dos mais extraordinários episódios de sublevação social na história dos EUA, parece que esquecemos o que é ativismo.</p>
<p>No começo dos anos 60, Greensboro era o tipo do lugar onde a insubordinação racial era rotineiramente reprimida com violência. Os quatro primeiros universitários a se sentar ao balcão reservado aos brancos estavam apavorados. &#8220;Se alguém tivesse chegado por trás de mim e gritado &#8216;bu&#8217;, acho que eu cairia no chão&#8221;, disse um deles mais tarde.</p>
<p>No primeiro dia, o gerente notificou o chefe de polícia, que imediatamente enviou dois policiais para a loja. No terceiro dia, um grupo de brutamontes brancos apareceu na lanchonete e se postou ameaçadoramente atrás dos manifestantes, proferindo epítetos como &#8220;crioulo de cabelo ruim&#8221;. Um líder local da Ku Klux Klan apareceu. No sábado, enquanto a tensão crescia, alguém telefonou e deu um alarme falso de bomba e a loja teve de ser evacuada.</p>
<p>Os perigos eram mais claros no Mississippi Freedom Summer Project de 1964, outra campanha pioneira do movimento pelos direitos civis. O Student Nonviolent Coordinating Committee recrutou centenas de voluntários não remunerados no norte dos EUA, quase todos brancos, para lecionar nas Freedom Schools, alistar eleitores negros e promover os direitos civis no sul profundo.</p>
<p>&#8220;Ninguém pode ir sozinho a lugar nenhum, muito menos de carro e à noite&#8221;, eram as instruções dadas aos voluntários. Poucos dias depois de chegarem ao Mississippi, três deles -Michael Schwerner, James Chaney e Andrew Goodman- foram sequestrados e assassinados; até o final daquele verão, 37 igrejas negras seriam incendiadas e dezenas de casas usadas como abrigos foram atacadas com bombas; voluntários foram espancados, alvejados e perseguidos por picapes repletas de homens armados. Um quarto dos participantes do programa desistiram. Ativismo que desafia o status quo -e ataca problemas profundamente enraizados- não é para bundas-moles.</p>
<p><strong>COMPROMISSO</strong> O que leva uma pessoa a esse tipo de ativismo? Doug McAdam, sociólogo na Universidade Stanford, comparou os desertores do programa Freedom Summer com os que optaram por ficar, e descobriu que a diferença crucial, ao contrário do que se poderia esperar, não era o fervor ideológico. &#8220;Todos os inscritos -tanto os que ficaram quanto os que desistiram- estavam altamente comprometidos com a causa e eram partidários articulados das metas e valores do programa&#8221;, concluiu.</p>
<p>O fator decisivo foi o grau de conexão pessoal entre a pessoa e o movimento pelos direitos civis. Pedia-se a todos os voluntários que fornecessem uma lista de contatos pessoais -as pessoas que desejavam manter a par de suas atividades-, e assim a probabilidade de ter amigos que também estivessem indo ao Mississippi era bem mais alta entre os que ficaram do que entre os que abandonaram o programa. O ativismo de alto risco, concluiu McAdam, é um fenômeno de &#8220;vínculos fortes&#8221;.</p>
<p>O padrão se repete em boa parte de casos. Um estudo sobre as Brigate Rosse [Brigadas Vermelhas], grupo terrorista italiano dos anos 70, constatou que 70% de seus recrutas já tinham pelo menos um grande amigo na organização. O mesmo se aplica aos homens que aderiram aos Mujahideen do Afeganistão. Até mesmo manifestações revolucionárias que parecem espontâneas, como as que conduziram à queda do Muro de Berlim, na Alemanha Oriental, são, em seu âmago, fenômenos de vínculos fortes.</p>
<p>O movimento oposicionista da Alemanha Oriental consistia em centenas de grupos, cada qual formado por cerca de uma dúzia de membros. Cada grupo tinha contato limitado com os demais: na época, apenas 13% dos alemães orientais tinham telefone. Tudo o que sabiam era que, nas noites de segunda, diante da igreja de São Nicolau, no centro de Leipzig, as pessoas se reuniam para expressar sua ira contra o Estado. E o determinante primário daqueles que compareciam eram os &#8220;amigos críticos&#8221; -quanto mais amigos críticos ao regime uma pessoa tivesse, maior a probabilidade de adesão ao protesto.</p>
<p><strong>LIGAÇÕES</strong> Portanto, um fato crucial sobre os quatro calouros que foram à lanchonete segregada de Greensboro -David Richmond, Franklin McCain, Ezell Blair e Joseph McNeil- eram as ligações mútuas que mantinham. McNeil dividia o quarto com Blair no alojamento da A&#038;T. No andar de cima, Richmond dividia o quarto com McCain; e Blair, Richmond e McCain foram alunos da Dudley High School.</p>
<p>Os quatro levavam cerveja às escondidas para o alojamento e conversavam noite afora, no quarto de Blair e McNeil. Tinham na memória o assassinato de Emmett Till, em 1955; o boicote aos ônibus de Montgomery, no Alabama, no mesmo ano; e o confronto em Little Rock, no Arkansas, em 1957.</p>
<p>Foi McNeil que apareceu com a ideia do protesto na Woolworth&#8217;s. Discutiram o assunto por quase um mês. Um dia, McNeil entrou no quarto e perguntou aos amigos se estavam prontos.<br />
Houve uma pausa e McCain disse, de um jeito que só funciona entre amigos que passaram longas madrugadas conversando: &#8220;Vocês vão arregar ou vamos em frente?&#8221;. Ezell Blair tomou coragem para pedir aquele café, no dia seguinte, porque estava na companhia de seu colega de quarto e de dois grandes amigos desde o ensino médio.</p>
<p><strong>VÍNCULOS FRACOS</strong> O ativismo associado às redes sociais nada tem em comum com isso. As plataformas dessas redes são construídas em torno de vínculos fracos. O Twitter é uma forma de seguir (ou ser seguido por) pessoas que talvez nunca tenha encontrado cara a cara. O Facebook é uma ferramenta para administrar o seu elenco de conhecidos, para manter contato com pessoas das quais de outra forma você teria poucas notícias. É por isso que se pode ter mil &#8220;amigos&#8221; no Facebook, coisa impossível na vida real.</p>
<p>Sob muitos aspectos, isso é maravilhoso. Há força nos vínculos fracos, como observou o sociólogo Mark Granovetter. Nossos conhecidos -e não nossos amigos- são a nossa maior fonte de novas ideias e informações. A internet nos permite explorar a potência dessas formas de conexão distante com eficiência maravilhosa.</p>
<p>É sensacional para a difusão de inovações, para a colaboração interdisciplinar, para integrar compradores e vendedores e para as funções logísticas das conquistas amorosas. Mas vínculos fracos raramente conduzem a ativismo de alto risco.</p>
<p><strong>VIRTUDES</strong> Em um livro chamado &#8220;The Dragonfly Effect &#8211; Quick, Effective, and Powerful Ways to Use Social Media to Drive Social Change&#8221; [O Efeito Libélula - Maneiras Rápidas, Efetivas e Poderosas de Utilizar Redes Sociais para Promover Mudanças Sociais, ed. Jossey-Bass], o consultor de negócios Andy Smith e Jennifer Aaker, professora na escola de admininistração de empresas de Stanford, contam a história de Sameer Bhatia, jovem empresário do Vale do Silício que um dia descobriu estar sofrendo de leucemia mielálgica aguda. O caso serve como perfeita ilustração sobre as virtudes das redes sociais.</p>
<p>Bhatia precisava de um transplante de medula óssea, mas não encontrou doador entre seus parentes e amigos. As chances seriam maiores caso o doador tivesse sua etnia, e havia poucos doadores do sul da Ásia no banco de dados de medula óssea americano.</p>
<p>Por isso, o sócio de Bhatia enviou um e-mail no qual explicava o problema do amigo a mais de 400 de seus conhecidos, que por sua vez o encaminharam a seus contatos; páginas de Facebook e vídeos no YouTube foram criados para a campanha Help Sameer. Por fim, quase 25 mil novos doadores se inscreveram no banco de dados e Bhatia encontrou um compatível com ele.</p>
<p>Mas como a campanha conseguiu a adesão de tanta gente? Porque não pedia nada de mais aos participantes. É a única forma de conseguir que alguém que você não conhece de verdade faça alguma coisa em seu benefício. Dá para conseguir que milhares de pessoas se inscrevam como doadores porque fazê-lo é facílimo. Basta enviar uma amostra simples de material genético -no altamente improvável caso de que a medula óssea do doador seja compatível com alguém que precise- passar algumas horas no hospital.</p>
<p>Doar medula óssea não é trivial. Mas não envolve risco financeiro ou pessoal; não implica passar um verão inteiro sendo perseguido por picapes repletas de homens armados. Não requer confronto com normas e práticas sociais arraigadas. Na verdade, é o tipo do engajamento que só traz elogios e reconhecimento social.</p>
<p><strong>DISTINÇÃO</strong> Os evangelistas das redes sociais não compreendem essa distinção; parecem acreditar que um amigo de Facebook e um amigo real são a mesma coisa, e que se inscrever em uma lista de doadores no Vale do Silício, hoje, é ativismo no mesmo sentido que pedir um café num restaurante segregado de Greensboro em 1960.</p>
<p>&#8220;As redes sociais são especialmente eficazes para reforçar a motivação&#8221;, escreveram Aaker e Smith. Mas não é verdade. As redes sociais são eficazes para ampliar a participação -mas reduzindo o nível de motivação que a participação exige.</p>
<p>A página da Save Darfur Coalition no Facebook tem 1.282.339 membros, cuja doação média é de nove centavos de dólar per capita. A segunda maior entidade de assistência a Darfur no Facebook tem 22.073 membros, e suas doações per capita são de 35 centavos de dólar. A Help Save Darfur tem 2.797 membros, que doaram, em média, 15 centavos de dólar.</p>
<p>Um porta-voz da Save Darfur Coalition disse à revista &#8220;Newsweek&#8221; que &#8220;não avaliamos necessariamente o valor de alguém para o movimento com base nos montantes doados. Este é um mecanismo poderoso para promover o envolvimento de uma população crítica. Eles informam a comunidade, participam de eventos, fazem trabalho voluntário. Não é algo que se possa medir por números&#8221;.</p>
<p>Em outras palavras, o ativismo no Facebook dá certo não ao motivar pessoas para que façam sacrifícios reais, mas sim ao motivá-las a fazer o que alguém faz quando não está motivado o bastante para um sacrifício real. Estamos muito longe do balcão da lanchonete de Greensboro.</p>
<p><strong>CAMPANHA MILITAR</strong> Os estudantes que participaram de protestos no sul dos EUA nos primeiros meses de 1960 descreveram o movimento como &#8220;uma febre&#8221;. Mas o movimento dos direitos civis tinha mais de campanha militar que de contágio.</p>
<p>No final dos anos 50, 16 protestos semelhantes haviam sido organizados em diversas cidades sulistas, 15 dos quais formalmente coordenados por organizações de direitos civis como a NAACP [sigla em inglês da Associação Nacional para o Progresso da População de Cor] e a CORE [sigla em inglês de Congresso da Igualdade Racial]. Possíveis locais para protestos foram mapeados. Traçaram-se planos. Ativistas do movimento promoveram sessões de treinamento e retiros com potenciais participantes.</p>
<p>Os quatro de Greensboro surgiram como produto desse trabalho de base: eram membros do Conselho da Juventude da NAACP. Tinham fortes ligações com o diretor da seção local da organização. Foram informados sobre a onda anterior de protestos em Durham, e participaram de uma série de reuniões do movimento em igrejas ativistas.</p>
<p>Quando os protestos se espalharam pelo sul a partir de Greensboro, a difusão não ocorreu de modo aleatório. Os protestos surgiram em cidades que já tinham células do movimento -núcleos de ativistas dedicados e treinados, prontos para converter a &#8220;febre&#8221; em ação.</p>
<p><strong>ALTO RISCO</strong> O movimento dos direitos civis era ativismo de alto risco. Era também, e isso é importante, ativismo estratégico: um desafio ao establishment, montado com precisão e disciplina. A NAACP era uma organização centralizada, com comando em Nova York, segundo procedimentos operacionais altamente formalizados.</p>
<p>Na Southern Christian Leadership Conference, Martin Luther King Jr. (1929-68) exercia inquestionável autoridade. A igreja negra tinha posição central no movimento e, como aponta Aldon Morris em seu &#8220;The Origins of the Civil Rights Movement&#8221;, esplêndido estudo publicado em 1984, mantinha uma divisão de tarefas cuidadosamente demarcadas, com diversos comitês permanentes e grupos disciplinados.</p>
<p>&#8220;Cada grupo tinha uma missão definida e coordenava suas atividades por meio de estruturas de autoridade&#8221;, escreve Morris. &#8220;Os indivíduos eram responsáveis pelas tarefas que lhes eram designadas e conflitos importantes eram resolvidos pelo pastor, que em geral exercia a autoridade final sobre a congregação.&#8221;</p>
<p><strong>HIERARQUIA</strong> Essa é a segunda distinção crucial entre o ativismo tradicional e sua variante on-line: as redes sociais não se prestam a esse tipo de organização hierárquica.</p>
<p>O Facebook e sites semelhantes são ferramentas para a construção de redes e, em termos de estrutura e caráter, são o oposto das hierarquias. Ao contrário das hierarquias, com suas regras e procedimentos, as redes não são controladas por uma autoridade central e única. As decisões são tomadas por consenso, e os vínculos que unem as pessoas ao grupo são frouxos.</p>
<p>Essa estrutura torna as redes imensamente flexíveis e adaptáveis a situações de baixo risco. A Wikipédia é um exemplo perfeito. Não há um editor instalado em Nova York que direcione e corrija cada verbete. O esforço de produção de cada entrada é auto-organizado. Caso todos os verbetes da Wikipédia sejam apagados amanhã, o conteúdo será rapidamente restaurado, porque é isso que acontece quando uma rede de milhares de pessoas dedica tempo a uma tarefa espontaneamente.</p>
<p>Há, no entanto, muitas coisas que redes não fazem direito. As montadoras de automóveis, sensatamente, usam uma estrutura de rede para organizar suas centenas de fornecedores, mas não para projetar os carros. Ninguém acreditaria que a articulação de uma filosofia coerente de design funcionasse melhor na forma de um sistema organizacional disperso e sem líderes.</p>
<p>Carecendo de uma estrutura centralizada de liderança e de linhas de autoridade claras, as redes encontram dificuldades reais para chegar a consensos e estabelecer metas. Não conseguem pensar de modo estratégico; são cronicamente propensas a conflitos e erros. Como fazer escolhas difíceis sobre táticas, estratégias ou orientação filosófica quando todo mundo tem o mesmo poder?</p>
<p><strong>PROBLEMAS</strong> A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) surgiu como rede, e, em ensaio recentemente publicado no periódico &#8220;International Security&#8221;, os especialistas em relações internacionais Mette Eilstrup-Sangiovanni e Calvert Jones argumentam que esse é o motivo para que a organização tenha encontrado tantos problemas ao crescer: &#8220;Traços estruturais característicos das redes -ausência de autoridade central, autonomia irrestrita de grupos rivais e incapacidade de arbitrar disputas por meio de mecanismos formais- tornaram a OLP excessivamente vulnerável à manipulação externa e às disputas internas&#8221;.</p>
<p>&#8220;Na Alemanha dos anos 70&#8243;, os dois prosseguem, &#8220;os terroristas de esquerda, muito mais unidos e bem-sucedidos, tendiam a se organizar hierarquicamente, com gestão profissional e clara divisão de tarefas. Estavam geograficamente concentrados nas universidades, onde podiam estabelecer liderança central, confiança e camaradagem por meio de reuniões regulares, cara a cara&#8221;.</p>
<p>Era raro que entregassem seus companheiros de armas nos interrogatórios da polícia. Já seus equivalentes na direita se organizavam como redes descentralizadas e não mantinham disciplina semelhante. Era comum que esses grupos fossem infiltrados, e que seus membros, quando detidos pela polícia, entregassem facilmente seus companheiros. De forma semelhante, a Al Qaeda era mais perigosa quando mantinha uma hierarquia unificada. Agora que se dissipou em rede, vem se mostrando bem menos eficaz.</p>
<p><strong>MUDANÇA SISTÊMICA</strong> As desvantagens das redes pouco importam quando não estão interessadas em mudança sistêmica -caso desejem apenas assustar, humilhar ou fazer barulho-, ou quando não precisam pensar estrategicamente. Mas, se o objetivo é combater um sistema poderoso e organizado, é preciso uma hierarquia. O boicote ao serviço de ônibus em Montgomery exigiu a participação de dezenas de milhares de pessoas que dependiam do transporte público para ir ao trabalho e voltar todo dia. E durou um ano.</p>
<p>A fim de persuadir as pessoas a se manterem fiés à causa, os organizadores encarregaram cada igreja negra local de manter o moral alto e montaram um sistema alternativo de transporte solidário que contava com 48 telefonistas e 42 pontos de parada. Até mesmo o Conselho de Cidadãos Brancos, King afirmou mais tarde, reconheceu que o sistema de transporte solidário funcionava com &#8220;precisão militar&#8221;.</p>
<p>Quando King foi a Birmingham, no Alabama, para o confronto decisivo com o comissário de polícia da cidade, Eugene &#8220;Bull&#8221; Connor, contava com orçamento de US$ 1 milhão e uma equipe de 100 funcionários em período integral, já instalados na cidade e divididos em células operacionais. A ação foi dividida em fases, que se intensificavam gradualmente e eram mapeadas com antecedência. O apoio foi mantido por meio de sucessivas assembleias, num rodízio entre as igrejas da cidade.</p>
<p><strong>LEGITIMIDADE MORAL</strong> Boicotes, protestos e confrontos não violentos -armas preferenciais do movimento pelos direitos civis- são estratégias de alto risco. Deixam pouca margem para conflito e erro. No momento em que um único manifestante abandona o roteiro e reage a uma provocação, a legitimidade moral de todo o protesto fica comprometida. Os entusiastas das redes sociais sem dúvida gostariam que acreditássemos que a tarefa de King em Birmingham seria imensamente facilitada se ele pudesse usar o Facebook para se comunicar com seus seguidores e se contentasse em enviar tweets de uma cela.</p>
<p>Mas as redes são confusas -pense no padrão incessante de correção e revisão, emendas e debates, que caracteriza a Wikipédia. Caso Martin Luther King tivesse tentado um &#8220;wiki-boicote&#8221; em Montgomery, teria sido esmagado pela estrutura do poder branco. E que uso teria uma ferramenta de comunicação digital numa cidade na qual 98% da comunidade negra podia ser contatada na igreja, todo domingo? Em Birmingham, King precisava de disciplina e estratégia, o tipo de coisas que as redes sociais não são capazes de fornecer.</p>
<p><strong>PODER DE ORGANIZAÇÃO</strong> A bíblia do movimento das redes sociais é &#8220;Here Comes Everybody&#8221;, de Clay Shirky, professor na Universidade de Nova York. Ele procura demonstrar o poder de organização da internet e começa pela história de Evan, que trabalhava em Wall Street, e de sua amiga Ivanna, que esqueceu seu smart-phone, um caro Sidekick, no banco de um táxi nova-iorquino.</p>
<p>A companhia telefônica transferiu os dados do celular perdido de Ivanna a um novo aparelho e assim a proprietária e Evan descobriram que o Sidekick estava em posse de uma adolescente do Queens, que vinha usando o aparelho para tirar fotos de si mesma e de suas amigas.</p>
<p>Quando Evan lhe enviou um e-mail pedindo que devolvesse o celular, Sasha respondeu que ele era um &#8220;bundão branco&#8221; que não merecia tê-lo de volta. Irritado, ele montou uma página na web com uma foto de Sasha e uma descrição do ocorrido. Encaminhou o link aos amigos, que o repassaram a outros amigos. Alguém localizou a página do namorado de Sasha no MySpace e um link para ela foi criado no site.</p>
<p>Alguém descobriu o endereço dela na web e gravou um vídeo mostrando a casa quando passou de carro por lá; Evan postou o vídeo no site. A história ganhou destaque no Digg, um site agregador de notícias. Evan passou a receber dez e-mails por minuto. Criou um fórum on-line para que seus leitores contassem suas histórias, mas as visitas eram tantas que o servidor vivia caindo.</p>
<p>Evan e Ivanna procuraram a polícia, mas o boletim de ocorrência definia o celular como &#8220;perdido&#8221;, e não &#8220;roubado&#8221;, o que significava que, na prática, o caso estava encerrado.</p>
<p>&#8220;Àquela altura, milhões de leitores estavam acompanhando&#8221;, escreve Shirky, &#8220;e dezenas de veículos da mídia convencional haviam mencionado a história&#8221;. Cedendo à pressão, a polícia de Nova York reclassificou o celular como &#8220;roubado&#8221;. Sasha foi detida e a amiga de Evan conseguiu o Sidekick de volta.</p>
<p>O argumento de Shirky é o de que esse é o tipo de coisa que jamais poderia ter acontecido na era anterior à internet -e ele tem razão. Evan não teria conseguido localizar Sasha.</p>
<p>A história do Sidekick jamais teria sido divulgada. Um exército de pessoas não se teria formado para participar da batalha. A polícia não teria cedido à pressão de uma pessoa só, por algo tão trivial quanto um celular perdido. O caso, na opinião de Shirky, ilustra &#8220;a facilidade e rapidez com que um grupo pode ser mobilizado para o tipo certo de causa&#8221; na era da internet.</p>
<p><strong>PERIGO</strong> Na opinião de Shirky, esse modelo de ativismo é superior. Mas, na verdade, não passa de uma forma de organização que favorece as conexões de vínculo fraco que nos dão acesso a informações, em detrimento das conexões de vínculo forte que nos ajudam a perseverar diante do perigo.</p>
<p>Transfere nossas energias das entidades que promovem atividades estratégicas e disciplinadas para aquelas que promovem flexibilidade e adaptabilidade. Torna mais fácil aos ativistas se expressarem e, mais difícil, que essa expressão tenha algum impacto.</p>
<p>Os instrumentos de redes sociais estão aptos a tornar a ordem social existente mais eficiente. Não são inimigos naturais do status quo. Se, na sua opinião, o mundo só precisa de um ligeiro polimento, isso não deve lhe causar preocupação. Mas se você acredita que ainda existem lanchonetes por serem integradas ao mundo, essa tendência deveria incomodá-lo.</p>
<p>Grandiloquente, Shirky encerra a história do Sidekick perdido perguntando: &#8220;O que virá a seguir?&#8221; -e, sem dúvida, imagina futuras ondas de manifestantes digitais.<br />
Mas ele mesmo já respondeu à pergunta. O que virá é a mesma coisa, repetidamente. Um mundo feito de redes e vínculos fracos é bom para coisas como ajudar gente de Wall Street a recuperar celulares das mãos de garotas adolescentes. Viva la revolución.</p>
<p><em>Nota do tradutor<br />
1. Estados do sul dos EUA que se uniram contra os do norte do país durante a Guerra de Secessão (1861-65).<br />
2. No serviço de microblogs Twitter, as &#8220;tags&#8221; são termos precedidos do símbolo #, utilizados para reunir todas as mensagens sobre um mesmo assunto, como #ilustrissima.</em></p>
<p>Agora, o contraditório, de <a href="http://changeobserver.designobserver.com/feature/malcolm-gladwell-is-wrong/19008/" target="_blank">10/06/10</a>.</p>
<p><strong>Malcolm Gladwell Is #Wrong</strong><br />
<em>A retort to the writer who claims that social media are not effective tools for activism.</em></p>
<p>By Maria Popova</p>
<p><img src="http://www.amodesign.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/08/macolm_525.jpg" alt="" title="macolm_525" width="525" height="371" class="aligncenter size-full wp-image-387" /></p>
<p>Malcolm Gladwell&#8217;s take on social media is like a nun&#8217;s likely review of the Kama Sutra — self-righteous and misguided by virtue of voluntary self-exclusion from the subject. But while the nun&#8217;s stance reflects adherence to a moral code, Gladwell&#8217;s merely discloses a stubborn opinion based on little more than a bystander’s observations.</p>
<p>Gladwell, who has built a wildly successful career curating and synthesizing other people&#8217;s research for the common reader’s consumption, has been surprisingly remiss in examining the social web’s impact on various forms of activism. In a recent New Yorker article, in fact, he declared that &#8220;the revolution will not be tweeted&#8221; — that social media are practically useless when it comes to serious activism. While I don&#8217;t question his remarkable intelligence or unique talent — I fully subscribe to the work of psychologist Howard Gardner, whose latest book, Five Minds for the Future, demonstrates the value of the kind of synthesizer mind Gladwell possesses — I find it incongruous for a man who has abstained from participation in social media to weigh in on their value for civic action. (Gladwell has a page on Facebook but not a profile. He exists on the site much as Van Gogh does: you can’t “friend” him but you can “like” him. The profiles set up in his name, as Gladwell himself points out, are phonies created by someone else.)</p>
<p>Gladwell&#8217;s argument rests on two main ideas: first, that the social web is woven of what he calls &#8220;weak ties&#8221; between people, whereas activism is driven by &#8220;strong ties.&#8221; Second, that social networks are inherently devoid of hierarchy, which is central to the success of any organized civic movement. There is certainly strong sociological evidence to support the latter parts of both statements, but his claims about the nature of online social networks are myopic, occluded by highly selective evidence.</p>
<p>Let’s look at Gladwell&#8217;s definition of activism, or lack thereof. His examples come from the civil rights movement of the 1960s and, more specifically, the lunch counter sit-ins in Greensboro, North Carolina. While these were nonviolent confrontations, Gladwell points to the risk of violence and personal harm as the litmus test for true engagement. On the social web, he says, such high-stake risks don&#8217;t exist, which makes web-driven activism an oxymoron.</p>
<p>We need a definition of what activism is, not what it is not, before we can argue for or against its existence. As far as I&#8217;m concerned, activism is any action or set of actions, be it organized, grassroots or self-initiated, that aims to resolve a problem that diminishes the quality of life of individuals, communities or society. The civil rights movement is one example: it sought to bring equality and justice across racial borders. The suffrage movement is another: it sought to give women equal rights as political and social agents.</p>
<p>As democracy in the West (for lack of a better term) has evolved over the past century, however, certain basic battles for human rights have been won, at least on an institutional, political and legal level. While racism, sexism and other forms of bigotry may be alive and well in individuals, they are not condoned by our culture. Instead, the evolution of technology and society has brought on new challenges to democracy, calling for new focal points of activism. For instance, data democracy and free speech have become contemporary battlegrounds.</p>
<p>While I am the first to admit that the social web provokes what the New York Times writer Barnaby Feder has termed &#8220;slacktivism&#8221; — the tendency to passively affiliate ourselves with causes for the sake of peer approval rather than taking real, high-stakes action to support them – we have ample evidence that the social web not only brings critical awareness to issues of humanitarian and ecological importance, but also incites action around them.</p>
<p>In his fascinating research on social networks, the Harvard scholar Nicholas Christakis has noted that online social networks are &#8220;the same but different&#8221; compared to real-life ones. In a lot of ways, this is also the case with the exercise of justice and injustice on the social web. Censorship and cyberattacks represent two particularly prominent violations of human rights and freedom of speech. Increasingly, countries like China, Uzbekistan, Tunisia and Moldova are practicing extreme censorship of online activists and bloggers, and cyberattacks continue to be used as weapons of oppression. Earlier this year, 30 Egyptian political bloggers were detained for their anti-sectarian views and in 2009, the antigovernmental sentiments of a 34-year-old Georgian economics professor blogging under the alias CYXYMU led to a cyberattack that disrupted service for hundreds of millions of internet users on Twitter, Facebook and LiveJournal, as the attackers took down entire sites in an attempt to silence just this one voice.</p>
<p>In a recent talk in Zurich, Wired UK editor David Rowan referred to the activism of the social web with the example of Abdulkarim El-Khewani, a Yemeni journalist whose six-year-old daughter was roughed up after government officials raided his house in June 2007 to arrest him because of his investigative work on petroleum corruption. While his case received attention from local press and human rights activists, it wasn&#8217;t until the following year, when the Yemeni activist group Sisters Arabic Forum for Human Rights put up a YouTube video of his young daughter Eba recounting her father&#8217;s arrest, that the world took notice. Eventually, the case reached the U.S. State Department, which added to the pressure to free him. El-Khewani, who had been sentenced to six years in prison, received a presidential pardon. Upon his release, he told a reporter that he persevered because he felt he wasn&#8217;t alone; the world was on his side.</p>
<p>These new forms of violence are very real, posing threats to the personal security and, in many cases, lives of those who are deemed dissident. They transgress multiple pillars of the Universal Declaration for Human Rights — namely, Article 12 (&#8220;No one shall be subjected to arbitrary interference with his privacy, family, home or correspondence, nor to attacks upon his honour and reputation. Everyone has the right to the protection of the law against such interference or attacks.&#8221;), Article 19 (&#8220;Everyone has the right to freedom of opinion and expression; this right includes freedom to hold opinions without interference and to seek, receive and impart information and ideas through any media and regardless of frontiers.&#8221;) and, in the worst of political regimes, Article 28 (&#8220;Everyone is entitled to a social and international order in which the rights and freedoms set forth in this Declaration can be fully realised.&#8221;)</p>
<p>By Gladwell&#8217;s definition, these acts of violence, which pose real risks, should validate the work of what Google&#8217;s Public Policy Blog calls &#8220;digital refugees&#8221; — and the support of their social networks — as genuine, high-stakes activism.</p>
<p>Ultimately, Gladwell&#8217;s mistake is seeing online and offline social networks as disjointed mechanisms. Hierarchies do exist online, and while the top of the pyramid may often be represented by an offline eminence — say, a presidential candidate — the bottom of the pyramid, which supports the entire movement, is composed of online authorities with degrees of influence, such as the vocal supporters who amplify the candidate&#8217;s message across the social web, engaging new adherents along the way. Anyone doubting the viability of this model is invited to review Barack Obama&#8217;s presidential campaign, which was largely orchestrated via social media.</p>
<p>Hierarchies also exist within the social web and are particularly useful in promoting an understanding of causes. Someone with a large following on Twitter can draw attention to an issue, which then trickles down his or her social graph, reaching a wider and wider audience. And just to reiterate, while awareness is certainly not a sufficient condition for activism, it is a necessary one.</p>
<p>Gladwell argues that the reason four black students dared to plant themselves at a Greensboro lunch counter in the first place was that the protestors were close friends, providing one another with enough support and even peer pressure to withstand a potentially violent reception. The social web, he claims, fails to foster such strong relationships. Again, he presents a false cut-and-dried distinction between online and offline communities. While connections on Facebook and, more so, Twitter require minimal familiarity, it is increasingly common for online acquaintances to deepen into real, offline friendships. (When a commenter made this point in The New Yorker&#8217;s live Q&#038;A with Gladwell last week, the author promptly and derisively dismissed the suggestion. His exact words: “At last! A positive side effect of social media! I would guess it has improved the typing skills of many users as well.”)</p>
<p>Anecdotally, for what it&#8217;s worth, I&#8217;ve met online both my best friend in the world and the only person with whom I&#8217;ve ever maybe-possibly been in love. I didn’t seek out either of these connections through online dating sites and the like, but encountered them through the organic intersection of our paths as directed by the nature of our work — the same old-fashioned way people have always met strangers who go on to become something more. What originated as weak ties ended up industrial-strength connections. And based on countless conversations I&#8217;ve had with other friends (many of whom I&#8217;ve also met online and are now very much a part of my &#8220;real-life&#8221; social circle), I am not an exception.</p>
<p>What does this have to do with activism? It&#8217;s simple. Online communities broaden our scope of empathy. (The digital anthropologist Stefana Broadbent has done some interesting work in that vein.) They do so by introducing new issues to our collective consciousness and exposing us to the lives these issues affect. In cases where our &#8220;in-group&#8221; lacks direct experience of such concerns, empathy is the missing link between awareness and action — it&#8217;s what enables us to act for the well-being of others, as in the case of El-Khewani.</p>
<p>Maybe Wikipedia, as Gladwell argues, wouldn&#8217;t have helped Dr. Martin Luther King – the question is moot because it takes new ecosystems of authority and tries to retrofit them to old political structures – but sites like ScraperWiki do help the data democracy fighters of today and platforms like HelpMeInvestigate harness the social web to support those working toward one of the most critical issues in digital activism: political and institutional transparency.</p>
<p>Historic protests are being organized on Facebook. In 2008, in Colombia, a country where the largest public protest to date had been attended by 20,000 people, a Facebook campaign orchestrated by a young engineer incited an estimated 4.8 million people to participate in 365 protests against the Revolutionary Armed Forces known as FARC. In 2009, a similar Facebook effort in Bulgaria brought together the largest public protests since the fall of communism, which resulted in the resignation of several Parliament members accused — and later convicted — of corruption. In a recent speech on internet freedom, Secretary of State Hillary Clinton gave the example of a 13-year-old boy who used the social web to organize blood drives after the Mumbai terrorist attacks in 2008. And, most recently, Adam Penenberg used Twitter in a fine piece of investigative journalism to uncover the details of a $131-million death verdict against Ford that traditional media had failed to access.</p>
<p>Most human rights violations, from discrimination to genocide, can be attributed to one or both of two root causes: pluralistic ignorance (the tendency of a group’s members to incorrectly believe that the majority condones an injustice) and diffusion of responsibility (the conviction that someone else will take action against the injustices we are aware of). It takes a critical mass of awareness and assignment of responsibility for injustice to end. While the social web, with its inherent anonymity and predilection for slacktivism, may do little in the way of assigning responsibility, it has a monumental effect on awareness. Today, it is impossible to participate actively in the social web and be unaware of the existence of climate change or Aung San Suu Kyi. And while many will join a Facebook group as a badge of affiliation with a cause rather than take real action, a few will be driven by social-media-engendered empathy and indignation to start NGOs, invent humanitarian design solutions, or lobby in Congress.</p>
<p>Examples span the entire spectrum of activism – from access to knowledge (such as TED&#8217;s thriving online community of volunteer translators, who have made thousands of TED talks available in over 75 languages) to humanitarian fundraising (like Amanda Rose&#8217;s Twestival, the Twitter-powered global grassroots organization that raised more than $250,000 for Charity Water&#8217;s clean drinking water work in 2009 and more than $460,000 for Concern Worldwide&#8217;s education work in 2010) to humanitarian crisis management (such as Ushahidi&#8217;s crowdsourced maps of disaster information during the Haiti and Chile earthquakes that wiped out traditional information infrastructures).</p>
<p>In light of these examples and many more out there, I find Gladwell&#8217;s contention that &#8220;innovators tend to be solipsists&#8221; particularly disheartening. (Though I should be careful – Gladwell isn&#8217;t sparing with insults; he called a Huffington Post writer who challenged his declarations about social media a “narcissist.”) Perhaps, after all, his is a failure of recognizing not the sociology of activism but the psychology of altruism as a backbone of the social web&#8217;s capacity for good.</p>
<p>Ultimately, most injustice is about marginalization; an individual or group is denied resources available to the rest of society. In the civil rights era, the boundaries were often about access to public space as a designator of status and equality — back versus front of the bus, sit-down tables versus lunch counter. In the digital era, boundaries frequently pertain to one’s access to information. But just as our notion of public space has evolved to encompass digital space and the data it contains, our definition of activism should be modified to incorporate efforts to protect speech and provide access in this new public realm. To negate the power of the social web as a mechanism of this kind of activism is to deny the evolution of the social planes on which justice and injustice play out.</p>
<p>As the internet scholar Evgeny Morozov has famously said, &#8220;Technology doesn’t necessarily pry more information from closed regimes; rather, it allows more people access to information that is available.&#8221; But access is the first tile in a domino effect of awareness, empathy and action. The power of the social web lies in the sequence of its three capacities: To inform, to inspire and to incite.</p>
<p>Viva la #revolución. </p>
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		<title>NIHIL</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 18:31:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Belo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Obra-prima o ensaio da Ilustríssima, na Folha de 24/07/11, sobre a &#8220;Apologia da Preguiça&#8221;. Faz lembrar o Clube do Nadismo, que propõe uma vida mais repleta de nadismos. Nós, você e eu, não queremos dormir. Mas estamos acordados? Apologia da preguiça O sequestro do nosso tempo pelo trabalho RESUMO Em tempos de tecnociência, permanece irrealizada [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Obra-prima o ensaio da Ilustríssima, na Folha de 24/07/11, sobre a <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il2407201105.htm" target="_blank">&#8220;Apologia da Preguiça&#8221;</a>. Faz lembrar o <a href="http://www.clubedenadismo.com.br/" target="_blank">Clube do Nadismo</a>, que propõe uma vida mais repleta de nadismos.</p>
<blockquote><p>Nós, você e eu, não queremos dormir. Mas estamos acordados?</p></blockquote>
<p><strong>Apologia da preguiça</strong></p>
<p><em>O sequestro do nosso tempo pelo trabalho</em></p>
<p><em>RESUMO</p>
<p>Em tempos de tecnociência, permanece irrealizada a utopia da libertação do homem pelas máquinas: nunca se trabalhou tanto, e o tempo livre jamais esteve tão fora da pauta. Ora estigmatizado na ordem produtiva, ora exaltado na tradição filosófica, o preguiçoso é hoje o símbolo do tempo livre para o pensamento.</em></p>
<p>ADAUTO NOVAES</p>
<p>O trabalho deve ser maldito, como ensinam as lendas sobre o paraíso, enquanto a preguiça deve ser o objetivo essencial do homem. Mas foi o inverso que aconteceu. É esta inversão que gostaria de passar a limpo.<br />
Malevitch, &#8220;A Preguiça como Verdade Definitiva do Homem&#8221;</p>
<p>SABE-SE QUE uma única palavra é suficiente para arruinar reputações e, entre todas, preguiça é uma das mais suspeitas e perigosas. Ao longo dos séculos, foi carregada de significações contraditórias e impressionantes variações.</p>
<p>Dela decorre longo cortejo de acusações bizarras, mas também sabe ser tema de obras de arte, poesia, romance, pinturas, reflexões filosóficas: o preguiçoso é indolente, improdutivo, nostálgico, melancólico, indiferente, distraído, voluptuoso, incompetente, ineficaz, lento, sonolento, silencioso. Preguiça e trabalho guardam um misterioso parentesco, quase simétrico e especular.</p>
<p>Para o preguiçoso, &#8220;é preciso ser distraído para viver&#8221; (Paul Valéry), afastar-se do mundo sem se perder dele; exatamente por isso, é acusado de não contribuir para o progresso.</p>
<p>Além de praticar crime contra a sociedade do trabalho, o preguiçoso comete pecado capital. Pela lógica do mundo do trabalho e da igreja, ele deve sentir-se culpado, pagar pelo que não faz.</p>
<p>Mais: pensadores como Lafargue, Stevenson, Bertrand Russell, Jerome K. Jerome, Marx e Samuel Johnson apostaram no desenvolvimento técnico como possibilidade de liberação do trabalho. Erraram: na era da tecnociência, nunca se trabalhou tanto e nunca se pensou tão pouco. Assim, o espírito tende a se tornar coisa supérflua.</p>
<p><strong>O QUE FAZER</strong> Ao pensar sobre o fazer, o ocioso pode prestar um grande serviço e ajudar a responder à velha questão moral: o que devo fazer? Dependendo da resposta, teremos diferentes definições do que seja o homem, a política, as crenças, o saber, nossa relação com o mundo, e, principalmente, nossa relação com o trabalho. A resposta pode nos dizer não apenas o que fazemos mas também o que o trabalho faz em nós.<br />
Hoje, maravilhosas máquinas &#8220;economizam&#8221; o trabalho mecânico, mas criam novos problemas: primeiro, uma espécie de intoxicação voluntária, isto é, &#8220;mais a máquina nos parece útil, mais ela nos torna incompletos&#8221; (Valéry).</p>
<p>A máquina governa quem a devia governar; daí decorre o segundo problema, bem mais complexo: tantas potências auxiliares mecânicas tendem a reduzir &#8220;nossas forças de atenção e de capacidade de trabalho mental&#8221;, o que se relaciona à impaciência, à rapidez e à volatilidade nunca antes vistas.</p>
<p>Assim escreveu Paul Valéry (1871-1945): &#8220;Adeus, trabalhos infinitamente lentos, catedrais de 300 anos cuja construção interminável acomodava curiosas variações e enriquecimentos sucessivos&#8230; Adeus, perfeições da linguagem, meditações literárias e buscas que tornavam as obras ao mesmo tempo comparáveis a objetos preciosos e a instrumentos de precisão!</p>
<p>[...] Eis-nos no instante, voltados aos efeitos de choque e contraste, quase obrigados a querer apenas o que ilumina uma excitação de acaso. Buscamos e apreciamos apenas o esboço, os rascunhos. A própria noção de acabamento está quase apagada&#8221;.</p>
<p><strong>MONTAIGNE</strong> Valéry retoma uma tradição. Lemos em Montaigne (1533-92) que &#8220;a alma que não tem um fim estabelecido perde-se. Porque, como se diz, estar em toda parte é não estar em lugar algum&#8221;. Aqui, entendemos por alma o &#8220;trabalho teórico do espírito&#8221;, potência de transformação. O que leva a alma (espírito) a se perder é o trabalho desordenado.<br />
Habitar o próprio eu, comenta Bernard Sève, é o projeto de Montaigne: viver em repouso, longe das agitações do mundo, retirar-se da pressa do mundo &#8220;para se conquistar, passar do negotium ao otium&#8221;, do negócio ao ócio.</p>
<p>É isso que podemos ler na inscrição que Montaigne mandou pintar nas paredes da sua torre: &#8220;No ano de Cristo de 1571, aos 38 anos, vésperas das calendas de março, dia de aniversário de seu nascimento, depois de exercer longamente serviços na Corte (Parlamento de Bordeaux) e nos negócios públicos [...] Michel de Montaigne consagrou este domicílio, este tranquilo lugar vindo de seus ancestrais, à sua própria liberdade, à sua tranquilidade, ao seu &#8216;loisir&#8217; (otium)&#8221;.</p>
<p>Eis que Montaigne recolhe-se ao ócio reflexivo, com um espírito criativo leve e vagabundo. Como escreve Sève, um Montaigne distante das pressões políticas e das injunções do trabalho burocrático, com o espírito já amadurecido, &#8220;construído pela vida, espírito prestes ao fecundo exercício de uma ociosidade inteligente e feliz&#8221;. Mas interpretemos com cuidado esse afastamento do mundo.</p>
<p>Se a vida teórica aparece mais compensadora, é porque Montaigne não encontrou na vida prática -social e política-, no Parlamento de Bordeaux, aquilo que buscava. À diferença dos comuns, Montaigne não procurava satisfação no reconhecimento social e político. No ócio, preferiu a busca da verdade às coisas da política.</p>
<p>Sua &#8220;contemplação&#8221; teórica é discursiva, isto é, transforma-se em atos de pensamento e, portanto, em atividade prática. Nascem aí os monumentais &#8220;Ensaios&#8221;.</p>
<p><strong>FOUCAULT</strong> A aliança entre capital, igreja e disciplina militar para regular o trabalho tem história. Em um curso de 1973, ainda não publicado, Michel Foucault (1926-84) narra a institucionalização do trabalho através da &#8220;fábrica-caserna-convento&#8221; no final do século 19. Ele descreve as regras de uma comunidade fechada de até 400 trabalhadores: acordar às 5h, 50 minutos para toalete e café, trabalho nas oficinas das 6h10 às 20h15, com uma hora para as refeições. À noite, jantar, reza e cama às 21h. Só no sul da França, 40 mil operárias trabalhavam nessas condições.</p>
<p>O trabalhador é fixado no aparelho produtivo, no qual &#8220;o tempo da vida está submetido ao tempo da produção&#8221;. Vemos nessa experiência uma mudança essencial que nos interessa porque se torna mais aguda e determinante no trabalho hoje: &#8220;da fixação local a um sequestro temporal&#8221;. Ou melhor, da ideia de controle do espaço no trabalho à ideia de controle do tempo.</p>
<p>O trabalho sequestrou o tempo. Se, no século 19, o controle do tempo era apresentado ao operário como um &#8220;aprendizado de qualidades morais&#8221; que, na realidade, significava a integração da vida operária ao processo de produção, hoje o controle é aceito com naturalidade, e até mesmo desejado.</p>
<p>O homem se integra voluntariamente &#8220;a um tempo que não é mais o da existência, de seus prazeres, de seus desejos e de seu corpo, mas a um tempo que é o da continuidade da produção, do lucro&#8221;.<br />
A reivindicação de tempo livre tornou-se quase que palavra de ordem subversiva: &#8220;Preciso tanto de nada fazer que não me resta tempo para trabalhar&#8221;, conclama Pierre Reverdy, citado no prefácio ao livro de Denis Grozdanovitch &#8220;A Difícil Arte de Quase Nada Fazer&#8221;.</p>
<p><strong>TRABALHO CEGO</strong> A mobilização veloz e incessante do trabalho cego não permite ao homem dizer qual é o seu destino e muito menos o que acontece. Ele não dispõe de tempo para pensar e muito menos tem consciência de que seus gestos, no trabalho, produzem muito mais do que os objetos que fabrica.</p>
<p>Há um excedente invisível, entendendo-se por &#8220;excedente&#8221; tudo o que não é mensurável, que produz catástrofes através do trabalho &#8220;normal e produtivo&#8221; e se manifesta na poluição, nos desastres ecológicos, no esquecimento e na desconstrução de si.</p>
<p>Como nos lembra Robert Musil em &#8220;O Homem sem Qualidades&#8221;, foi preciso muita virtude, engenho e trabalho para tornar possíveis as grandes descobertas científicas e técnicas, graças aos sucessos dos &#8220;homens de guerra, caçadores e mercadores&#8221;. Tudo isso fundado na disciplina, no senso de organização e na eficácia do trabalho, o que talvez pudesse ser resumido assim: o trabalho mecânico da produção de mercadorias pretende tomar o mundo de assalto, produzindo agitação social e frenesi econômico e consumista, dada a multiplicação de objetos &#8220;não naturais e não necessários&#8221;.</p>
<p>Já o preguiçoso põe-se na escuta de si e do mundo que o cerca.</p>
<p><span id="more-354"></span></p>
<p><strong>PENSAMENTO</strong> Talvez o mais danoso de todo esse legado para o espírito humano seja a criação de um mundo vazio de pensamento que o ocioso procura preencher. Guardo uma imagem que o poeta e filósofo Michel Deguy me fez ver à janela de seu apartamento, em Paris: um mendigo que dormia 20 horas por dia na escadaria da igreja Saint-Jacques.</p>
<p>Deguy narra essa experiência em um pequeno ensaio com o título &#8220;Do Paradoxo&#8221;: em imagem semelhante, diz ele, também nas escadarias de uma igreja, &#8220;a &#8216;Derelitta&#8217; de Botticelli está pelo menos sentada, parecendo meditar. Hoje, ninguém medita, como dizia Valéry na figura de M. Teste. Portanto, o mendigo talvez não esteja errado, uma vez que o fato de estar deitado nada muda [...] E quando lembro que Pascal era o pároco da igreja e cuidava dos abandonados, a comparação me perturba: os &#8216;pobres&#8217; não são mais como eram -mas os pensadores também não. Portanto, o &#8216;despertar do pensamento&#8217;? Nós, você e eu, não queremos dormir.<br />
Mas estamos acordados?&#8221;</p>
<p>O trabalho técnico, mecânico e acelerado abole o tempo do pensamento, que exige virtudes atribuídas ao preguiçoso: paciência, lentidão, devaneio, acaso -o imprevisto. Em um texto célebre, Valéry nota: &#8220;O futuro não é mais como era&#8221;. Isto é, não há mais o tempo lento do pensamento, momento em que o tempo não contava. Sabemos que é na vida meditativa e lenta que o homem toma consciência da sua condição.</p>
<p><strong>SERES OCULTOS</strong> Ora, como escreveu ainda Valéry, o amanhã é uma potência oculta, e o homem age muitas vezes sem o objeto visível de sua ação, como se outro mundo estivesse presente, &#8220;como se ele obedecesse a ações de coisas invisíveis ou de seres ocultos&#8221;.</p>
<p>Essa poderia ser uma boa definição do ocioso. Coisas invisíveis e seres ocultos participando do mundo do devaneio e do pensamento. Mundo do trabalho do espírito, em contraposição ao trabalho mecânico.<br />
As ideias e os valores, lembra-nos Maurice Merleau-Ponty (1908-61), não faltam a quem soube, na sua vida meditativa, liberar a fonte espontânea, não deliberadamente, em direção a fins predeterminados por cálculos técnicos e produtivos. Todo trabalho finito e alienado é pura perda.</p>
<p>Através de uma admirável reversão, o meditativo transforma a desrazão do mundo do trabalho alienado em fonte de razão. Isso porque o trabalho meditativo do ocioso é um trabalho sem finalidade, sem &#8220;telos&#8221;, um trabalho sem fim. O trabalho meditante do ocioso exige muito mais trabalho do que o trabalho mecânico. O trabalho da obra de arte e da obra de pensamento pede um tempo que não pode ser medido pelo relógio.</p>
<p><strong>PREGUIÇOSO</strong> Como se pode, então, pensar essa figura que sempre teve péssima reputação? Talvez uma boa definição seja a de um autor inglês, Jerome K. Jerome (1859-1927), em seu livro &#8220;Pensamentos Preguiçosos de um Preguiçoso&#8221; (1886): &#8220;O que melhor caracteriza um verdadeiro preguiçoso é o fato de ele estar sempre intensamente ocupado. De início, é impossível apreciar a preguiça se não há uma massa de trabalho diante de si. Não é nada interessante nada fazer quando não se tem nada a fazer! [...] Perder seu tempo é uma verdadeira ocupação, e uma das mais fatigantes. A preguiça, como um beijo, para ser agradável, deve ser roubada&#8221;.</p>
<p>Jerome K. Jerome leva-nos a pensar que a preguiça não é coisa passiva. Perder o tempo mecânico dá trabalho e exige enorme atividade do espírito.</p>
<p>O egípcio Albert Cossery é apresentado pela revista francesa &#8220;Magazine Littéraire&#8221; como o escritor contemporâneo que celebra a preguiça como uma arma de subversão política e como um modo de resistir à impostura das potências. Para Cossery, o exercício da preguiça tem o valor da arte de viver. Mas ele distingue dois tipos de preguiçosos: os idiotas e os reflexivos.</p>
<p>&#8220;Um idiota preguiçoso permanece idiota!&#8221;, escreve. &#8220;E um preguiçoso inteligente é quem reflete sobre o mundo no qual vive. Mais você é ocioso, mais tempo você tem tempo para refletir&#8230; Esses são os valores da preguiça, que supõe, pois, dupla recusa: nosso mundo imediato e a triste realidade.&#8221;</p>
<p>Mas o mais radical dos libelos contra o trabalho alienado continua a ser o pequeno ensaio de Paul Lafargue (1842-1911), &#8220;O Direito à Preguiça&#8221; (1880). &#8220;Trabalhem, trabalhem, proletários, para aumentar a fortuna social e suas misérias individuais; trabalhem, trabalhem, para que, tornados mais pobres, tenham mais razões ainda para trabalhar e tornarem-se miseráveis. Essa é a lei inexorável da produção capitalista&#8221;.</p>
<p>Para Lafargue, o trabalho é invenção relativamente recente, uma vez que os antigos gregos desprezavam o trabalho e deliciavam-se com os &#8220;exercícios corporais&#8221; e os &#8220;jogos de inteligência&#8221;. Ele critica a moral cristã ao proclamar o &#8220;ganharás o pão com o suor do rosto&#8221; e ao lembrar que Jeová, &#8220;depois de seis dias de trabalho, repousou por toda a eternidade&#8221;.</p>
<p>Robert Louis Stevenson (1850-94), na &#8220;Apologia dos Ociosos&#8221; (1877), mostra que o ócio &#8220;não consiste em nada fazer, mas em fazer muitas coisas que escapem aos dogmas da classe dominante&#8221;.</p>
<p><strong>MELANCOLIA</strong> A tradição relaciona a melancolia e o devaneio à preguiça. Nisso, mais uma vez, igreja e capital estão juntos. O trabalho é o grande meio que a igreja encontrou para lutar contra a melancolia e a vertigem do tempo livre. Seu lema sempre foi &#8220;Rezai e trabalhai&#8221;, ou seja, só abandonar a oração quando as mãos estiverem ocupadas.</p>
<p>Lemos em um ensaio de Jean Starobinski sobre a melancolia -&#8221;A Erupção do Diabo-&#8221; que o trabalho tem por efeito ocupar inteiramente o tempo que não pode ser dado à oração e aos atos de devoção: &#8220;Sua função&#8221;, escreve ele, &#8220;consiste em fechar as brechas por onde o demônio poderia entrar, por onde também o pensamento preguiçoso poderia escapar&#8221;. Assim, o trabalho interrompe o &#8220;vertiginoso diálogo da consciência com seu próprio vazio&#8221;.</p>
<p>A crítica que Jean-Jacques Rousseau (1712-78) faz ao trabalho não é diferente. Na sétima caminhada dos &#8220;Devaneios de um Caminhante Solitário&#8221; (1782), ele busca a solidão, mas procura trabalhar tudo o que o cerca,<br />
escolhendo o mais agradável. Não escolhe os minerais porque, escondidos no fundo da terra &#8220;para não tentar a cupidez&#8221;, exigem indústria, trabalho, pena e exploração dos miseráveis nas minas.</p>
<p>As plantas não. A botânica é o estudo de um &#8220;ocioso e preguiçoso solitário&#8221;: &#8220;Ele passeia, erra livremente de um objeto a outro, passa em revista cada flor&#8230; Há, nesta ociosa ocupação, um charme que só se sente na plena calma das paixões, o que basta para tornar a vida feliz e tranquila. Mas, quando se mistura aí um motivo de interesse ou vaidade, seja para ocupar espaços, seja para escrever livros, ou quando se quer aprender apenas para se instruir ou pesquisar as plantas apenas para se tornar professor, todo o charme da tranquilidade se desfaz; [...] no lugar de observar os vegetais na natureza, ocupa-se apenas com sistemas e métodos&#8221;.<br />
O que importa hoje, talvez, é propor a luta do progresso contra o progresso; isto é, a valorização do progresso do espírito, a valorização dos valores contra o progresso técnico, esta &#8220;ilusão que nos cega&#8221;. Eleger a quietude, o silêncio e a paciência para conhecer e aprofundar indefinidamente as coisas dadas.</p>
<p>Eis o ócio que Karl Kraus (1874-1936) nos propõe: &#8220;Se o lugar aonde quero chegar só puder ser alcançado subindo uma escada, eu me recusarei a fazê-lo. Porque lá aonde eu quero realmente ir, na realidade já devo estar nele. Aquilo que devo alcançar servindo-me de uma escada não me interessa&#8221;.</p>
<p><em>Na sequência, o <a href="http://www.clubedenadismo.com.br/p%20manifesto.html" target="_blank">Manifesto do Nadismo</a>.</em></p>
<p><strong>Eu quero fazer nada.</strong></p>
<p>Quero que haja tempo para não ter nada para fazer.<br />
Quero desfrutar destes momentos tranquilamente, sem pressa.<br />
Quero compartilhar isso com os amigos.</p>
<p>Eu quero acabar com a pressão sufocante de estar sempre correndo atrás de um objetivo, de ter que estar o tempo todo fazendo algo que seja produtivo, útil, eficiente, rápido, dentro do prazo.</p>
<p>Quero minimizar a terrível sensação de que, por mais que se corra, nunca dá tempo para fazer tudo e nunca sobra tempo que não seja seriamente planejado, pois ficar sem fazer nada dá a impressão que se está perdendo tempo e isso nos faz sentir culpados.<br />
Quero eliminar a pressa que faz a vida passar cada vez mais rápido.</p>
<p>Vivemos num sistema desregulado que nos cobra um preço muito alto: tensão, ansiedade e estresse.<br />
Sei que não sou o único que sente isso e certamente há mais gente que se deu conta que está na hora de encontrar um equilíbrio e atentar para a qualidade da nossa vida agora e não depois, quando der.<br />
Estou certo de que podemos mudar essa situação por que somos nós que fazemos as escolhas e podemos escolher ir mais devagar, aproveitando melhor o caminho.</p>
<p>Por isso foi criado o Clube de Nadismo. Para proporcionar a experiência, para dar o gostinho, para criar o hábito e para que ele se estenda e repercuta na vida como um todo.<br />
Não se trata de uma pausa para descanso para depois voltar com todo gás.</p>
<p>É fazer nada sem objetivo nenhum, como um fim em si mesmo.<br />
É algo para ser absolutamente sem utilidade, não produtivo, sem expectativas, sem controle. Simplesmente relaxar e deixar acontecer.<br />
Deixar fluir.</p>
<p>Espero que assim chegue o dia que a palavra estresse seja obsoleta.</p>
<p>Conto com todos os que quiserem fazer parte deste tempo de serenidade, harmonia e consciência.<br />
Vamos não fazer juntos.</p>
<p><em>Marcelo Bohrer<br />
03/16/06</em></p>
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		<title>ROLHA SINTÉTICA NÃO SERVE</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 20:39:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Belo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[VALOR]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu falo e ninguém acredita. Rolha sintética, além de tirar todo o ritual inicial do vinho, atrapalha na evolução do sabor. A chamada screw cap, que já encontramos por aí e conheci pela primeira vez num syrah muito bom parece ser a alternativa – com o perdão do trocadilho – mais palatável. Olha que interessante [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Eu falo e ninguém acredita. Rolha sintética, além de tirar todo o ritual inicial do vinho, atrapalha na evolução do sabor. A chamada screw cap, que já encontramos por aí e conheci pela primeira vez num syrah muito bom parece ser a alternativa – com o perdão do trocadilho – mais palatável. Olha que interessante o experimento que o <a href="http://valoronline.com.br/impresso/consumo/117/456067/doenca-da-rolha-fomenta-busca-por-alternativas-a-cortica" target="_blank">Jorge Lucki</a> participou e relatou hoje, no <a href="http://valoronline.com.br/impresso/consumo/117/456067/doenca-da-rolha-fomenta-busca-por-alternativas-a-cortica" target="_blank">Valor</a>.</p>
<p><a href="http://www.amodesign.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/07/Teste-cego-vinhos-e1310675752334.jpeg"><img src="http://www.amodesign.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/07/Teste-cego-vinhos-e1310675752334.jpeg" alt="" title="Teste-cego-vinhos" width="580" height="363" class="aligncenter size-full wp-image-202" /></a></p>
<p><em>Meu vinho: Pesquisa do Château Margaux mostra que o material &#8220;saudável&#8221; ainda garante a melhor vedação.</em></p>
<p><strong>&#8220;Doença da rolha&#8221; fomenta busca por alternativas à cortiça</strong></p>
<p>É sempre constrangedor recusar garrafa de vinho em restaurantes, alegando que ele &#8220;não está bom&#8221;. A atitude pode ser vista como implicação do cliente, demonstração de poder ou tentativa de se mostrar um expert (conhecidos como &#8220;enochatos&#8221;). O assunto é delicado e requer educação e bom senso, em especial porque não são raros os casos de clientes inexperientes que confundem vinho estragado com o que não lhes agrada &#8211; assim como há aqueles que bebem os vinhos comprometidos sem nem perceberem. Embora a casa tenha a obrigação de servir o produto sem nenhum defeito, e trocá-lo se isso acontecer, nem sempre o profissional encarregado do serviço tem conhecimento e discernimento para confirmar que a garrafa está com problema. Espera-se ao menos que alguém no restaurante tenha.</p>
<p>Deixando de lado questões ligadas à conservação &#8211; não é necessariamente por culpa do restaurante, isso pode ter ocorrido antes da compra -, o que resultaria numa bebida em fase de declínio, com sinais de oxidação, ou a um defeito de vedação específico daquela garrafa, a expectativa é com relação ao defeito conhecido como &#8220;doença da rolha&#8221;, &#8220;bouchonné&#8221;, ou &#8220;corked&#8221; (derivação de bouchon e cork, traduções de rolha em francês e inglês, respectivamente). Caracteriza-se por um odor desagradável que lembra bolor ou pano molhado, identificável também na boca pelo gosto desagradável.</p>
<p><span id="more-200"></span></p>
<p>Deve-se basicamente a um fungo, o composto 2,4,6-Trichloroanisole, ou TCA, que ataca a cortiça, matéria-prima da rolha, indo se manifestar mais tarde quando ela está em contato com o líquido, contaminando-o. O fato de ser imperceptível à vista antes de ser engarrafado (e mesmo depois de a garrafa ser aberta) faz com que vinhos de ótima reputação estejam sujeitos ao problema. Vale ressaltar que, na maioria das vezes, a culpa não é do produtor, nem se estende ao lote, mas àquela garrafa especificamente. Nada impede de solicitar outro exemplar do mesmo vinho em seguida. As vinícolas, em todo caso, principalmente as que têm rótulos prestigiados e caros em sua gama, se cercam de cuidados maiores, comprando de fornecedores mais qualificados e realizando testes estatísticos em lotes de rolhas recebidas, antes de utilizá-las.</p>
<p>A cortiça é a própria casca do sobreiro, uma árvore cientificamente conhecida como Quercus Suber L, muito abundante em Portugal &#8211; o maior produtor mundial &#8211; e Espanha e é extraída de nove em nove anos. A estatística de rolhas contaminadas é pouco precisa, mas estima-se que esteja entre 2 e 5%. A incidência vem diminuindo na medida em que uma série de precauções tem sido tomada em todo o processo, entre elas maior cuidado na extração da cortiça, seu tratamento, e armazenamento adequado.</p>
<p>A bem da verdade, tais controles só foram adotados após a crise de abastecimento do setor, ocorrido sobretudo na década de 90, quando a demanda cresceu muito e os corticeiros, na ânsia de atender os pedidos, baixaram o padrão de qualidade. Com o aumento da incidência de problemas, começaram a surgir soluções alternativas para vedar as garrafas. Num primeiro momento apareceram as rolhas sintéticas. Embora estivessem livres da contaminação pelo fungo, elas foram e ainda são bastante criticadas devido à dificuldade de sacá-las da garrafa &#8211; de recolocá-las também -, além de não serem aconselháveis para vinhos a serem consumidos após dois ou três anos do engarrafamento.</p>
<p>Sem tantos inconvenientes, as tampas de vidro, envolvidas com material plástico, uma espécie de silicone, para evitar o contato direto com a garrafa e permitir boa vedação, têm sido adotadas por vinícolas alemãs, mesmo as de renome, para vinhos brancos da gama média.</p>
<p>A mais forte concorrente das tradicionais rolhas de cortiça é a chamada screw cap, que nada mais é do que a comum tampa metálica de rosca, utilizada em pequenas garrafas servidas em aviões e em certas cervejas. Sua aceitação começou curiosamente num mercado bastante conservador, a Inglaterra, e contou com o poder que os supermercados locais detêm no comércio de vinhos do país e o apoio de produtores australianos e neozelandeses, que há um bom tempo vêm aderindo à inovação. Atualmente, inclusive, as vinícolas da Nova Zelândia preferem não exportar a dar opção de rolha de cortiça.</p>
<p>Por mais que as tampas de roscas metálicas agridam as mais antigas tradições que envolvem o cerimonial do vinho e irritem os conservadores, não há como negar que elas têm argumentos convincentes. São fáceis de abrir e de fechar e vedam perfeitamente as garrafas, impedindo o nefasto contato da bebida com o oxigênio. Há ainda, a favor, o fato de conservarem o vinho com o frescor e juventude de quando foi engarrafado. Se isso é uma grande virtude quando se fala de vinhos brancos, o mesmo não se pode afirmar com relação aos tintos, que têm como característica a necessidade de passar um bom tempo na garrafa para se desenvolver e, para tanto, supostamente precisam &#8220;respirar&#8221;.</p>
<p>Como tudo que diz respeito a vinho, as respostas não são imediatas e não basta colocar os dados no computador e dar um &#8220;enter&#8221;. É preciso experimentar e ir analisando os resultados. Foi o que fez Paul Pontallier, diretor técnico e mentor do celebrado Château Margaux. Ele vem esporadicamente engarrafando, desde 2004, um certo número de garrafas de três de seus vinhos com os diversos tipos de vedação com o intuito de compará-los de tempos em tempos para acompanhar como evoluem. Quando lhe perguntei há alguns meses sobre o que tinha observado até então, disse que só havia feito a prova uma vez e que estava na hora de repetir a experiência, me convidando para participar durante minha estadia em Bordeaux em função da Vinexpo, realizada agora em junho.</p>
<p>Reunido o comitê, Marie Descôtis, responsável pela área de estudos e pesquisas do Château Margaux, Philippe Berrier, o maître du chai, que responde pelos trabalhos na adega durante todo o ano, Philippe Bascaules, enólogo chefe, e o próprio Pontallier, a primeira bateria teve quatro garrafas do vinho genérico (o &#8220;terceiro&#8221; vinho, que sobra da seleção do rótulo principal e do Pavillon Rouge e não é comercializado) da safra 2003, engarrafadas em 2004 e vedadas com rolhas de cortiça, sintética e dois tipos de tampa de rosca, uma que tem parte de revestimento interno e um disco no fundo em silicone, garantindo total estanqueidade, e outra apenas com um selo em material plástico ao fundo que permite ao vinho &#8220;respirar&#8221;.</p>
<p>Degustadas às cegas, coletadas as opiniões de nós cinco e computados os votos, houve consenso que havia nítida diferença entre elas e, unanimemente, a pior amostra foi a letra &#8220;A&#8221;, de rolha sintética. O vinho estava mais evoluído, com aroma animal e mais austero. A mais sedutora e com maior votação foi a &#8220;B&#8221;, que, descobertas as garrafas, se referia à tampa de rosca não estanque. Provando que é importante tentar outras possibilidades &#8211; comentário enfático de Pontallier -, a amostra &#8220;D&#8221; apresentou &#8220;algum defeito&#8221; &#8211; era a de rolha de cortiça, cujo defeito ficou mais acentuado com o passar do tempo. Outra garrafa, buscada depois, se mostrou perfeita, revelando com mais precisão a tipicidade do vinho.</p>
<p>O mesmo aconteceu na série seguinte, com o Pavillon Rouge 2002, engarrafado em 2004: a pior (de longe) foi a com rolha sintética e a melhor, com o vinho demonstrando classe e bela evolução, a de cortiça.</p>
<p>A última bateria foi reservada ao Pavillon Blanc 2004, engarrafado em junho do ano seguinte. Nesta, novamente ficou confirmada a inadequação da rolha sintética, deixando agradável surpresa o bom resultado da garrafa com tampa de rosca não estanque. O vinho estava vivo, com bom frescor e também expressivo, algo tão nítido para Pontallier que ele até se prestou a analisar seriamente a questão e colocar esta opção no mercado, ao menos os que se interessarem. A sintética, por outro lado, está definitivamente condenada.</p>
<p>No embalo, Paul Pontallier confidenciou estar adotando um grau de exigência cada vez maior para seus rótulos. A seleção das uvas está tão rigorosa que, a despeito da safra 2010 ter sido excepcional, apenas 36% da produção foi utilizada para elaborar seu topo de gama, o Château Margaux, e apenas outros 36% no Pavillon Rouge. Isso implica que está sobrando uma quantidade significativa para o &#8220;genérico&#8221;, que não era comercializado, o que é um desperdício. Em breve ele passará por mais uma triagem e será colocado no mercado como terceiro rótulo. Algo semelhante será aplicado ao vinho branco. Vem aí o Château Margaux Blanc, e o Pavillon Blanc vai virar segundo.</p>
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		<title>MAL ME QUER?</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jul 2011 19:26:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Belo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Parece que &#8220;todo mundo, e o mundo todo&#8221; (valeu Tutti!), começou a semana discutindo Otimismo versus Pessimismo. Na segunda, 11/07/2011, Lucy Kellaway, no Valor, e a Elaine Brum, na Época, cuja coluna foi disseminada no Facebook. Na terça, a Folha não deixou a desejar e fez uma ode ao pessimismo. Tristeza e solidão, do Baden [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Parece que &#8220;todo mundo, e o mundo todo&#8221; (valeu <a href="http://www.inconfidencia.com.br/modules/programacao/index.php?op=homePrograma&#038;prog_id=10010" target=_"blank">Tutti</a>!), começou a semana discutindo Otimismo versus Pessimismo. Na segunda, 11/07/2011, <a href="http://valoronline.com.br/impresso/eu-carreira/108/453603/um-viva-aqueles-que-veem-o-meio-copo-vazio-o-tempo-todo" target=_"blank">Lucy Kellaway</a>, no Valor, e a <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00.html" target=_"blank">Elaine Brum</a>, na Época, cuja coluna foi disseminada no Facebook. Na terça, a <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1207201106.htm" target=_"blank">Folha</a> não deixou a desejar e fez uma ode ao pessimismo.</p>
<p>Tristeza e solidão, do Baden Powell. Só assim pra entrar no clima&#8230;</p>
<p><iframe width="580" height="435" src="http://www.youtube.com/embed/Rd9IJUktH5E?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Na sequência, os artigos.</p>
<p><span id="more-154"></span></p>
<p><strong>Um viva àqueles que veem o meio copo vazio o tempo todo</strong></p>
<p>Nos negócios, o otimismo é bom e o pessimismo é ruim. O otimismo tem o monopólio do sucesso, da felicidade e até mesmo sobre a longevidade. Os pessimistas, com seus rostos longos e pensamentos obscuros, são párias, não servem para nada no entusiasmado mundo corporativo, exceto talvez para fazer carreira no jornalismo (onde notícias ruins são notícias boas). De outro modo, eles podem escolher entre a poltrona, o banheiro ou o circuito de comédia.</p>
<p>Mas agora o pessimismo pode estar voltando ao &#8220;mainstream&#8221;. A reviravolta ocorreu recentemente, quando o guru da administração Tom Peters comentou entusiasticamente no Twitter sobre um livro que enaltece o pensamento negativo. Trata-se de algo extraordinário para um homem cujo lema é um colorido ponto de exclamação e que, por décadas, vem se mostrando otimista da forma inflexível e cansativa. O fato do inventor do &#8220;Wow!&#8221; e do &#8220;Brand Me&#8221; estar agora se interessando pela negatividade é a coisa mais emocionante que tomei conhecimento em muito tempo.</p>
<p>Ao contrário de Peters, eu nasci pessimista. Sempre espero que um temporal súbito venha a estragar todas as festas de verão; sempre acho que toda iniciativa acabará em fracasso; pelo menos metade dos vestidos do meu guarda-roupa é da cor cinza. Não fosse pelo fato de que nunca comemoro nada antecipadamente, para o caso de não acontecer, eu estaria pulando de alegria com a ideia de que pessoas como eu serão reabilitadas.</p>
<p>Fui correndo averiguar o livro recomendado por Peters, escrito por Julie Norem, uma professora de psicologia do Wellesley College. Ela passou 18 anos fazendo uma pesquisa cuidadosa apenas para chegar à conclusão lógica &#8211; ainda que um tabu -, de que é uma boa ideia pensar em tudo o que pode dar errado antes de embarcar em qualquer coisa. Infelizmente, ela limitou seu alcance a pessoas que são ansiosas. Mas me parece que ela deu de cara com uma verdade com aplicação universal.</p>
<p>Numa infelicidade ainda maior, os editores disfarçaram a mensagem ligeiramente subversiva com um título estupidamente otimista: &#8220;The Positive Power of Negative Thinking: Use Defensive Pessimism to Harness Anxiety &#038; Perform at Your Peak&#8221; (algo como &#8220;O Poder Positivo do Pensamento Negativo: Use o Pessimismo Defensivo para Controlar a Ansiedade &#038; Melhore seu Desempenho&#8221;). Mesmo assim, Roma não foi destruída em um dia, e talvez a professora Norem tenha preparado o mercado o suficiente para a negatividade para o livro que eu mesma gostaria de escrever (se Peters não chegar lá primeiro). Eu poderia intitulá-lo: &#8220;Por que as Coisas Sempre Dão Errado no Trabalho e o que Fazer Quando Isso Acontece&#8221;.</p>
<p>O problema com os otimistas é que eles não se saem bem num mundo complicado. Nos campos de prisioneiros de guerra do Vietnã, os que morriam primeiro eram os que tinham pensamento positivo: eles realmente esperavam estar em casa no Natal e desmoronavam quando isso não acontecia. É claro que o mundo dos negócios não é exatamente como um campo de prisioneiros de guerra, uma vez que você pode sair para tomar um cafezinho e depois dormir no conforto de sua cama à noite. Mas ele pode ser cruel e impiedoso e uma coisa ruim pode acontecer após a outra. Estar sempre preparado para o pior me parece ser o único curso de ação inteligente. Woody Allen explica melhor: &#8220;Confiança é o que você tem antes de entender o problema&#8221;.</p>
<p>Muito embora uma reabilitação dos pessimistas seja bem-vinda, não há muito sentido em forçar a barra nos livros de autoajuda. Otimistas e pessimistas nasceram desse jeito; não há mudança que possa ser feita com uma ou duas dicas de um livro. A única mudança vem com o tempo, que tende a amenizar todos os extremos. Acho que sou um pouco menos pessimista do que há 30 anos, pois descobri que, de vez em quando, podemos muito bem ignorar as coisas. Os otimistas eventualmente descobrem o inverso &#8211; e talvez uma versão drástica disso tudo é o que está acontecendo com Tom Peters (que também deu para fazer comentários infelizes sobre Madre Teresa de Calcutá no Twitter, o que não é um bom sinal).</p>
<p>Em todo caso, é estupidez discutir qual é a melhor visão de mundo quando ambas claramente são necessárias o tempo todo. Toda organização e toda parceria deveria ser cuidadosamente balanceada para incluir os otimistas e os pessimistas. Um casamento também precisa dos dois &#8211; minha própria experiência me ensinou que é bom ter um otimista que apareça com intermináveis planos para passeios, e um pessimista para descartar as ideias mais malucas e temperar o resto com paracetamol e guarda-chuvas.</p>
<p>As empresas precisam dos dois ainda mais, para obter a mistura certa de ousadia e cautela. A diversidade de otimistas e pessimistas é a mais importante que existe e deveria ser ativamente perseguida nos conselhos e em todos os níveis inferiores. Os pessimistas corporativos deveriam ser desestigmatizados e chamados para fora do armário. Acima de tudo, eles deveriam parar de fingir que veem o copo meio cheio apenas para se enquadrar. Eles deveriam se orgulhar de declarar que, para eles, o copo estava meio vazio o tempo todo.</p>
<p><em>Lucy Kellaway é colunista do &#8220;Financial Times&#8221;. Sua coluna é publicada às segundas-feiras na editoria de Carreira.</em></p>
<p><strong>Meu filho, você não merece nada</strong></p>
<p>Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.</p>
<p>Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.</p>
<p>Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.</p>
<p>Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.</p>
<p>Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.</p>
<p>É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?</p>
<p>Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.</p>
<p>Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.</p>
<p>Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.</p>
<p>A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.</p>
<p>Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.</p>
<p>Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.</p>
<p>Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.</p>
<p>Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.</p>
<p>O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.</p>
<p>Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.</p>
<p>Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.</p>
<p>Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.</p>
<p>Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.</p>
<p><em>Eliane Brum escreve às segundas-feiras.</em></p>
<p><strong>O otimista quebra a cara</strong></p>
<p><em>Pesquisas da neurociência mostram que a confiança cega no amanhã pode gerar mais resultados negativos do que positivos</em></p>
<p>Ser otimista pode ser desastroso: a pessoa cria falsas expectativas, subestima riscos e se dá mal.</p>
<p>Mas não pensamos nisso. De acordo com as últimas descobertas da neurociência, somos mais otimistas do que realistas, o que não deixa de ser uma irracionalidade do cérebro.<br />
O lado &#8220;dark&#8221; do pensamento positivo é objeto de estudo da neurocientista israelense Tali Sharot, que acaba de lançar o livro &#8220;The Optimism Bias -A tour of the irrationally positive brain&#8221; (o viés otimista, um tour pelo cérebro irracionalmente positivo), sem edição no Brasil.</p>
<p>Certo tipo de atitude esperançosa, tão incentivada pela cultura atual, &#8220;pode levar a enormes erros de cálculo e fazer com que as pessoas não façam exames de saúde, não apliquem protetor solar ou não abram uma poupança&#8221;, disse à Folha Sharot, que é pesquisadora da University College London.</p>
<p>Ela estudou como o viés positivo se forma no cérebro. Para isso, registrou as atividades de voluntários enquanto eles imaginavam eventos futuros e passados.<br />
Descobriu que a maioria das pessoas, cerca de 80%, acha que o futuro será melhor. E muitas delas imaginam cenas hollywoodianas.</p>
<p>&#8220;Achamos que não vamos ter câncer, nos divorciar ou perder o emprego. E pensamos que vamos viver até 20 anos a mais do que a expectativa de vida.&#8221;</p>
<p>É como se as estatísticas não funcionassem em primeira pessoa. A explicação para o viés positivo é evolucionista: sem o otimismo, ninguém atravessaria a rua.</p>
<p>&#8220;É uma forma que a espécie encontrou para seguir em frente, enfrentar o presente e fazer a vida correr&#8221;, diz Roberto Lent, neurocientista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>
<p>Para a neurologia, o otimismo é a formação de imagens mentais no cérebro, nas mesmas regiões em que ficam as lembranças. &#8220;A projeção do futuro é, muitas vezes, feita em comparação com o passado&#8221;, complementa Lent.</p>
<p>Já para a filosofia, o pensamento positivo pode ser visto como uma premissa, segundo Jorge Claudio Ribeiro, professor da disciplina na PUC de São Paulo.</p>
<p>&#8220;A fé é a atitude básica da vida humana. Se não temos fé, não comemos fora de casa e não bebemos água, porque pode estar contaminada. O otimismo vem antes da desconfiança.&#8221;</p>
<p>Segundo a terapeuta Dulce Critelli, o futuro pauta as ações do presente. &#8220;O homem não vive em função do que já foi ou já fez, mas do que pode ser. Marcamos nossas agendas para amanhã. Atravessamos a rua buscando algo que não temos.&#8221;</p>
<p>O problema (ou o risco) é que só é possível projetar o futuro por meio da fantasia. E daí a perder a mão e ser fantasioso demais é um pulo.</p>
<p><em>Lente cor-de-rosa</em></p>
<p>Ser muito otimista é como fugir da realidade, explica a psicanalista Giselle Groeninga, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.</p>
<p>&#8220;Pode ser um mecanismo de defesa para evitar o sofrimento. A pessoa passa a viver num mundo de fantasia e, muitas vezes, para continuar nesse nível, falseia mais e mais a realidade.&#8221;</p>
<p>Trata-se de um otimismo não realista, vendido por muitos best-sellers que prometem pílulas de ânimo.</p>
<p>Para Critelli, é como se esses livros se aproveitassem do possível viés otimista descrito pelos neurologistas: quem acredita, compra.</p>
<p>Lidia Weber, psicóloga e professora da Universidade Federal do Paraná, diz que, apesar de ser uma forma de placebo (e placebo pode funcionar), o otimismo de autoajuda é alienante.</p>
<p>&#8220;Achar que podemos tudo é muito ingênuo. Podemos acreditar tanto que não faremos nada de fato.&#8221;</p>
<p>Ela é pesquisadora na área de psicologia positiva, ramo que procura prevenir, e não apenas tratar transtornos mentais.</p>
<p>A psicologia positiva surgiu há mais ou menos duas décadas com o pesquisador americano Martin Seligman. Para ele, o otimismo pode e deve ser aprendido -e isso não é autoajuda, diz Weber.</p>
<p>&#8220;O otimismo é fundamental. É como uma vacina contra problemas emocionais. Mesmo com o risco de alienação, prefiro o otimismo em excesso que o pessimismo.&#8221;</p>
<p>A neurocientista Tali Sharot afirma que grande parte das pessoas pessimistas (das 20% que sobram, já que 80% acreditam num futuro melhor) poderiam ser diagnosticadas com algum transtorno de humor. Mas, mesmo assim, ela acredita que até essas podem ter algum viés positivo.</p>
<p><em>Suicidas</em></p>
<p>Não há otimismo sem pessimismo, lembra Ribeiro. &#8220;Quem tem fé, tem dúvida. O otimismo se torna menos bobo se for provocado.&#8221;</p>
<p>Paulo de Tarso Lima, médico que atua na área de medicina integrativa e trabalha com pacientes que sofrem de câncer, reconhece que um pouco de pessimismo é fundamental no tratamento de doentes crônicos.</p>
<p>&#8220;Estar conectado com a realidade é a base do tratamento. Otimismo em excesso pode ser tão prejudicial quanto pensamentos negativos.&#8221;</p>
<p>Na psicanálise, pessimismo e otimismo são complementares. &#8220;Fazem parte da nossa leitura da realidade. Oscilamos entre os dois lados&#8221;, afirma Groeninga.</p>
<p>Neste contexto, ser pessimista deve ser entendido como ser realista, e não como desejar coisas ruins.</p>
<p>A filosofia também vê um lado bom no pessimismo e inverte a lógica pela qual o pensamento positivo é vendido como o segredo do sucesso.</p>
<p>Ao contrário: se formos menos otimistas, conseguiremos viver melhor, explica Deyve Melo dos Santos, professor de filosofia da Universidade Federal da Paraíba. Ele estudou a obra do romeno Emil Cioran (1911-1995). Para Cioran, são os otimistas que se suicidam. O pessimista não tem por que se suicidar, ele já sabe que o mundo não é bom. O otimista imagina um mundo perfeito e, quando acontece uma tragédia, ele não aguenta.</p>
<p>Pensar coisas ruins pode, então, baixar as expectativas.</p>
<p>&#8220;A realidade é uma só e é essencial para o futuro. Digo isso aos pacientes. Eles ficam melhores quando não pensam nem no pior nem no melhor&#8221;, diz Lima. Difícil é conseguir isso.</p>
<p><em>Juliana Vines, de São Paulo.</em></p>
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